"Sou ?CDF? mesmo, tenho a caderneta de vacinação desde criança", admite a bióloga Camila Venceslau Álvares.
"Caxias" com orgulho, ela atesta que a disciplina em seguir o calendário de vacinação (confira nesta página quadro com as principais vacinas e disponibilidade das doses na rede pública e clínicas particulares) vale a pena. "Não fico mais gripada", comemora.
Ela conta que herdou o hábito de se vacinar constantemente da mãe. "Ela é a ?culpada?", diverte-se Camila. "Sempre foi assim comigo e com meus irmãos. Não sei se hoje eles mantém essa rotina, mas eu guardo a mesma carteirinha desde criança", orgulha-se.
A bióloga, cuja última dose recebida foi durante a campanha de imunização contra a gripe (Influenza) no ano passado, tem na ponta da língua o dia exato em que recebeu a primeira vacina. "Foi no dia 15 de dezembro de 1982. Eu tinha apenas dois meses", detalha. "Prevenir não faz mal a ninguém", ensina a jovem, que tanto busca vacina por conta própria quanto não perde a oportunidade de se proteger ao participar das campanhas empreendidas pela USP/Centrinho, aonde trabalha.
Outro exemplo de preocupação com a saúde na fase adulta é a professora Terezinha Claudete Semensato, de 49 anos. Abordada durante a semana passada pela equipe do JC durante enquete na região central, ela se orgulha não apenas de uma carteirinha de vacinação. "Tenho várias e marco tudo certinho. Saúde é fundamental. Estou acostumada a seguir a risca as datas", garante.
Mas não é todo mundo que tem essa preocupação. Entre os próprios entrevistados pelo JC foi quase que consensual a relação entre sentir-se bem e relaxar com a prevenção.
E não é apenas entre os adultos mais jovens que essa distração com problemas que podem ocorrer, caso não haja vacinação.
Na pesquisa encomendada pelo laboratório farmacêutico Pfizer, empreendida pelo instituto GfK Custom Reserart Brasil, foi apontado que menos da metade das pessoas acima de 50 anos dá importância para a vacinação na fase adulta.
Conforme o estudo, apenas 32% de 1710 pessoas acima dos 50 estão atentos para reforçar o sistema imunológico periodicamente, além de campanhas públicas ou incentivadas por empresas.
Além disso, boa parte também desconhece que a pneumonia é um exemplo de infecção pulmonar resultante da falta de imunização. "A vacinação é a melhor forma de proteção contra uma série de doenças também na idade adulta", observa o infectologista Marcos Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.
De acordo com médico, apenas as doses preventivas são capazes de impedir os ataques de vírus e bactérias causadores de diversas infecções, entre elas a pneumonia que, alerta o especialista, é um dos males mais agressivos e letais na maioridade.
A mesma pesquisa ainda que a vacinação aparece somente como terceira opção citada entre hábitos saudáveis, com 32% dos entrevistados. Antes figuram procedimentos como alimentação, com 68% das respostas, e consultas médicas regulares (47%). Atrás da vacinação está a preocupação com atividades físicas, observada por 24% dos entrevistados.
Fala-povo: ?Você mantém a carteira de vacinação atualizada??
"Eu não costumo me preocupar tanto. Acredito que esteja tudo em dia. Agora, se a pessoa imagina que a vacinação está defasada, ela deve se preocupar, pois é um assunto muito importante".
Maria Inês Pappa, 59 anos,aposentada
"Me preocupo bastante não apenas com a minha vacinação, mas também com a de meus filhos, na verdade com a família toda. Sei que está tudo em dia".
Rita de Cássia dos Santos Pereira, 50 anos, balconista
"Sim. Todas as minhas vacinas estão em dia. A última que tomei foi contra tétano. A maioria das pessoas não se preocupa, principalmente quando a saúde está boa".
Luiz Naba, 63 anos,aposentado
"Procuro ficar atento quanto à vacinação. A última que tomei foi no ano passado, contra a gripe suína. Acho que é comum as pessoas não se preocuparem tanto quando tudo vai bem".
Márcio Três, 39 anos,aposentado
"Com certeza, inclusive eu possuo a carteirinha. A dupla (contra sarampo e rubéola) foi a última que tomei. Penso que as pessoas estão mais preocupadas com a prevenção".
Valdirene Pedroso da Silva, 25 anos,técnica em química
"Não tenho o costume. Para ser sincero, você vai num posto de saúde e tem que falar com um monte de gente e demora um tempão. As empresas têm que ter consciência".
Jorge Maciel de Alvarenga, 59 anos, auxiliar
de produção