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Projeto prioriza entrada de luz natural


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Construída em um condomínio que ocupa a área de uma antiga fazenda em Porto Feliz, no Interior de São Paulo, esta casa de 1.480 m² tira total proveito da geografia do lugar. No terreno plano, com a farta área de 4.570 m ², não há muros nem construções altas no entorno - boa ventilação e iluminação estão garantidas. "Mesmo em dias nublados, aqui tem uma luz natural muito boa", observa Isis Chaulon, responsável pelo projeto ao lado da sócia, Carolina Maluhy.

Para reforçar a entrada de luz, as arquitetas espalharam domos (peças de vidro ou acrílico, usadas na cobertura) por pontos estratégicos em cantos e corredores. A ideia é que, ao longo do tempo, tal estratégia ajude a economizar energia elétrica, preocupação constante da dupla. O projeto luminotécnico feito pela Companhia de Iluminação e Wall Lamps foi pensado para ser acionado apenas à noite ou em circunstâncias específicas, como ler um livro com luz direta e pontual dos abajures.

O cuidado em poupar energia também aparece na solução aplicada para amenizar o calor intenso da região. A área é descampada e o vento, constante. As arquitetas, então, colocaram grandes janelas em todo o térreo, que ajudam a refrescar os cômodos.

A sala de estar, onde o casal recebe filhos, netos e amigos nos fins de semana, sintetiza bem essa solução arquitetônica, com vãos dos dois lados que permitem uma ventilação cruzada. "Como a região é toda aberta, a ventilação é superboa. Em vez de ajustar o ar-condicionado, basta regular a abertura das janelas, que podem ser recolhidas para um canto só", explica Isis. Aliás, só há aparelho de ar-condicionado nos quartos, a pedido dos proprietários, e na academia.

Nem todos os lugares, porém, podem ter os janelões. Aí surgem os jardins internos, presentes nos lavabos e banheiros das suítes do térreo. Com teto aberto, eles garantem a desejada ventilação e ainda dão mais vida a esses espaços. "A ideia foi criar a sensação de uma pequena mata, para trazer tranquilidade e menos informação", diz o paisagista Rodrigo Oliveira, que também cuidou da área externa.

Contribuindo para amenizar a temperatura dentro da casa, mármore travertino, da Mont Blanc, foi usado em toda a área social. O material cria um elo entre os ambientes, assim como os janelões idênticos criam uma unidade visual ao imóvel.


Linguagem visual

Todos os quartos, no térreo e no piso superior, são voltados para a piscina. Se precisar de privacidade, o hóspede só tem de mover pelos caixilhos o painel com ripas de madeira, outro elemento importante da casa, que aparece da porta de entrada à parede dos fundos. Nos quartos, entre o vidro e o painel, ainda há persiana e tela para proteger dos mosquitos.

Além da questão estética, a madeira aplicada também no piso dos quartos ajuda a aquecer o ambiente. Perfeito para as noites, quando a temperatura cai bastante na área descampada. Tanto que, pensando no uso a qualquer hora do dia e em qualquer estação, a piscina é aquecida por placas solares instaladas no teto, seguindo a preocupação das arquitetas com a sustentabilidade. "Eles acionam o sistema de aquecimento no inverno, porque como esfria muito durante a noite, a água acaba ficando muito gelada durante o dia", diz Isis.

Ao redor da piscina, o extenso gramado traduz a simplicidade de toda a área externa, que tem cerca de 80 árvores, entre elas peroba, jacarandá-mimoso, flamboyant, ipê, além de frutíferas como jabuticabeiras. "Trabalhamos com uma linguagem o mais simples possível, com maciços de plantas, para valorizar a fachada de linhas retas", conta o paisagista.

A disposição das plantas em blocos também favorece a economia de energia. "É um jardim com baixíssima manutenção, pois quanto mais as plantas crescerem, melhor ficará o lugar", diz Oliveira. Sem contar que o jardim é regado pela água da chuva.


Mais textura

Quebrando o predomínio da madeira, pedras foram usadas em pontos específicos. As mais vistosas formam os blocos aparelhados de granito rústico, da Pedras Pagliotto, que revestem uma parede da sala e invadem o jardim lateral. "A ideia foi criar uma textura diferente para desenvolver uma composição única", explica Isis.

Nas margens do jardim, caminhos estreitos com pedrinhas escondem o sistema de drenagem. E, na parte de cima da casa, pedriscos permitem andar sobre o teto para limpar os domos. "Quando você opta por um sistema assim, precisa pensar também em como será a manutenção. Os pedriscos garantem o acesso à área e ainda fazem o isolamento térmico da casa", explica Isis.

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