Internacional

Naufrágio pode virar desastre ambiental


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Roma - O ministro do Meio Ambiente da Itália, Corrado Clini, disse ontem que pode declarar situação de emergência à medida que começou um vazamento de material líquido do navio de cruzeiro Costa Concordia, que encalhou e tombou na costa oeste do país com 2,3 mil toneladas de combustível. Os tanques de combustível do navio estavam cheios quando o navio naufragou na sexta-feira. Ele havia acabado de deixar o porto de Civitavecchia, ao norte de Roma, para um cruzeiro de uma semana pelo Mediterrâneo.

Clini disse que ainda não é possível confirmar se o vazamento é de combustível, mas adiantou que barreiras de proteção já estavam sendo instaladas ao redor da embarcação. "O monitoramento continua tomando decisões com o objetivo de evitar os riscos ambientais", disse Clini em entrevista coletiva. As equipes de resgate retiraram seis corpos da embarcação e as autoridades afirmam que permanecem desaparecidos 16 dos 4.200 passageiros e tripulantes.

A área onde o navio naufragou, perto da ilha de Giglio, é um parque marinho conhecido por suas águas cristalinas e pela diversidade da vida marinha e dos corais. Ela também é mundialmente reconhecida como um excelente local para mergulho. "O risco ambiental na ilha de Giglio é muito, muito alto", acrescentou o ministro. "O objetivo é evitar o vazamento de combustível do navio. Estamos trabalhando para evitar isso. É urgente e o tempo está se esgotando."

 

Capitão é o culpado por acidente, diz empresa

Giglio - O presidente da empresa dona do cruzeiro Costa Concordia, Pier Luigi Foschi, culpou o capitão Francesco Schettino pela manobra que causou o naufrágio do navio de luxo, que levava 4.229 pessoas, perto da ilha italiana de Giglio, na sexta-feira à noite.

Foi achado ontem mais um corpo, de um homem não identificado, o que elevou para seis o total de mortos no naufrágio; ainda há 16 desaparecidos. De acordo com o Itamaraty, todos os 56 brasileiros a bordo se salvaram.

Segundo Foschi, que concedeu ontem entrevista coletiva sobre o naufrágio, os navios da Costa Cruzeiros têm alarmes que soam automaticamente quando há algum desvio do caminho programado - exceto quando a rota é alterada manualmente. "O fato de o cruzeiro ter saído da rota deve-se exclusivamente a uma manobra do comandante, que não foi autorizada e era totalmente desconhecida pela empresa", declarou o presidente da Costa.

Schettino será investigado por negligência e por ter, segundo a Guarda Costeira italiana, abandonado o barco antes que a maior parte dos passageiros fosse retirada, o que ele negou em entrevista.

 

Navio balança e atrapalha busca

 Giglio - O navio italiano Costa Concordia balançou ontem sobre as rochas onde encalhou e o mau tempo atrapalha a busca cada vez mais desesperada por 16 desaparecidos. Os proprietários da embarcação atribuíram a culpa ao capitão do navio, que teria se aproximado demais da ilha de Giglio, na costa oeste italiana, para "saudar" a população local, na noite de sexta-feira.

A embarcação de 114,5 mil toneladas, que, segundo algumas estimativas, foi o maior navio de passageiro que já naufragou, deslizou um pouco sobre as pedras, ameaçando jogar toda a sua gigantesca carcaça e 2.300 toneladas de combustível para o fundo do mar, numa região que é uma reserva ecológica.

 

Titanic, 100 anos depois

A Organização Marítima Internacional (OMM, um órgão da Organização das Nações Unidas) disse que é importante esperar as investigações sobre o acidente, mas que irá rever seus regulamentos se considerar que isso é necessário. Evocando o naufrágio do Titanic, em abril de 1912, o secretário-geral da OMM, Koji Sekimizu, disse que "no centenário do Titanic, mais uma vez fomos lembrados dos riscos envolvidos nas atividades marítimas".

 

 

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