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Homem morre com suspeita de gripe A

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A primeira morte por gripe A (H1N1) - ou gripe suína - no ano de 2012, em Bauru, pode ter sido registrada ontem. O funcionário público Adilson Eduardo Pereira, 34 anos, faleceu na manhã desta quarta-feira, poucas horas depois de ser internado no Hospital Estadual (HE) com sintomas clássicos da doença.

O paciente apresentava um quadro extremamente grave de insuficiência respiratória e não está descartada a hipótese de que tenha morrido de dengue hemorrágica ou outra doença que possa ter efeito letal sobre os pulmões. Os exames para comprovar as reais causas do óbito já foram solicitados e devem ser divulgados em 30 dias.

Pereira era morador de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) e começou a ser tratado na Santa Casa do município no início desta semana. Os sintomas iniciais eram de gripe comum, como tosse e dor no corpo, que evoluíram rapidamente. Com o quadro agravado, ele foi transferido para o Hospital de Base, em Bauru e, na noite de anteontem, para o HE, onde morreu.

Em Pederneiras, o funcionário público, conhecido como "Bugrinho", trabalhava na Defesa Civil e na instalação e manutenção de placas de sinalização de trânsito da cidade. Segundo informações de amigos, a vítima estava em férias e começou a manifestar os sintomas iniciais de gripe há cerca de uma semana.

Ele teria procurado ajuda médica mas, entre idas e vindas ao pronto-socorro da cidade, só veio a ser internado no HB de Bauru na última terça-feira, quando já estava bastante debilitado. "Tudo começou com uma gripe forte. Depois, houve suspeita de que fosse uma pneumonia. Mas ele só foi encaminhado para o Hospital de Base quando já estava escarrando sangue", conta uma pessoa, que preferiu não se identificar.

De acordo com o amigo e colega de trabalho Francisco Ferreira de Araújo, Pereira era uma pessoa saudável, mas tinha sobrepeso, o que é uma condição agravante para a letalidade da gripe A. Não há confirmação de que ele tivesse sido vacinado contra o vírus influenza A (H1N1). "Em cinco anos trabalhando com ele, nunca precisou se afastar para tratamento de saúde. O que aconteceu foi algo totalmente inesperado", diz.

Pessoas próximas ao paciente também não souberam informar se ele chegou a ser medicado com fosfato de oseltamivir (tamiflu), medicamento indicado para o tratamento da doença. Um amigo comentou que a esposa da vítima teria sido informada pelos médicos do HE de que, provavelmente, o paciente tivesse sido contagiado pela gripe A.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do HE e da Secretaria de Estado da Saúde não confirmaram a suspeita, que só poderá ser comprovada após a divulgação do resultado dos exames.


Casamento

O funcionário público Adilson Eduardo Pereira, 34 anos, iria se casar em abril deste ano com a atual companheira, com quem já vivia há alguns anos. Além da mulher, ele deixa duas filhas, de 6 e 4 anos de idade. A vítima foi velada durante toda a tarde de ontem no Velório Municipal de Pederneiras e sepultada no Cemitério Municipal às 18h.


Segundo caso em 3 meses

Se confirmada a causa da morte por gripe A (H1N1), este será o segundo óbito em Bauru em decorrência da doença no intervalo de apenas três meses. No início de outubro de 2011, uma comerciante de 42 anos faleceu depois de permanecer internada durante cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas. A gripe A (H1N1) foi comprovada como causa da morte por meio de exames laboratoriais, cujo resultado foi divulgado 20 dias após a morte da paciente.

Assim como Adilson Eduardo Pereira, a mulher, que não teve o nome divulgado a pedido da família, apresentava sobrepeso e manifestou inicialmente sintomas de gripe comum, que evoluíram em poucos dias para um quadro grave, que não pôde ser revertido a tempo.

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