A qualidade da programação televisiva tem sido debatida com assiduidade em função dos últimos acontecimentos. De acordo com o IBGE, a televisão aberta está presente em aproximadamente 95% dos lares, estabelecendo-se como a principal fonte de informação e entretenimento de nossa sociedade. Entretanto, existe uma relação umbilical entre informação e conhecimento, que conseqüentemente servem de base para o desenvolvimento humano. As pragas televisivas, definitivamente, estão no cotidiano da sociedade brasileira e o que se pode afirmar é a decadência deste meio de comunicação, salvo raras exceções. Parte da sociedade está insatisfeita com a qualidade televisiva, prova disso é a campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania", disponível em www.eticanatv.org.br, onde qualquer pessoa pode denunciar abusos na programação das emissoras.
O site também apresenta uma lista com os tipos de denúncias e os respectivos programas denunciados. Em um país democrático, há espaço para as mais diversas manifestações culturais, todavia, princípios básicos devem ser respeitados. Cenas de violência e apologia ao crime, incentivo ao consumo de álcool, atos sexuais, mulheres seminuas exibindo seus corpos, programas sensacionalistas, humorísticos apelativos e apresentadores acéfalos, esta é parte do cardápio televisivo. Sofremos com a depravação dos valores, é a decadência cultural, de valores e princípios, tudo em busca do ibope e como dizia Nietzsche: "A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade".
Deplorável é que este mesmo meio de comunicação cobriu alguns dos principais fatos da história, como o fim da ditadura militar, as diretas já, a queda do muro de Berlim, das torres gêmeas, entre outros, sucumbe perante sua promiscuidade. Exponho aqui apenas um ponto de vista, sem pregar quaisquer ideologias e tão pouco um falso moralismo. De fato, o melhor controle é o controle remoto, ele evita que aconteça o que diz a canção: é que a televisão me deixou burro, muito burro demais...
Vinicius Canaes