Havana - A morte de mais um dissidente cubano que protestava com greve de fome contra violações de direitos humanos volta novamente às atenções à postura do regime de Raúl Castro sobre o tema. Wilman Villar, 31 anos, não resistiu a um quadro de infecção generalizada e pneumonia, após 50 dias sem comer na prisão, e morreu anteontem à noite, em um hospital da cidade de Santiago de Cuba.
O episódio reaviva o caso de Orlando Zapata Tamayo, dissidente que morreu em fevereiro de 2010, depois de 85 dias de greve de fome. Tamayo, que estava detido desde 2003, era considerado "preso de consciência" pela Anistia Internacional - status que Villar estava prestes a obter - e protestava contra as condições carcerárias. Ele morreu um dia antes de o então presidente Lula chegar a Cuba para visita oficial, e apenas "lamentar" o incidente.
Preso em 14 de novembro, quando participava de um protesto da União Patriótica de Cuba na cidade de Boatswain, onde vivia, ele foi condenado a quatro anos de prisão por desprezo e violação da autoridade. Detido em Aguadores, logo iniciou uma greve de fome para protestar contra sua condenação.
Familiares e opositores disseram que sua saúde foi se deteriorando progressivamente, e no último dia 13, ele precisou ser levado ao Hospital Geral Juan Bruno Zayas, de onde não saiu mais. A oposição cubana denunciou a prisão de ativistas que tentaram assistir ao funeral de Villar, cujo corpo estava sendo velado anteontem no povoado de Contramaestre, a cerca de 900 quilômetros de Havana.
O governo dos Estados Unidos logo se pronunciou sobre o episódio. "A morte sem sentido de Villar ressalta a repressão permanente do povo cubano e os infortúnios que encaram os indivíduos valentes que defendem os direitos universais de todos os cubanos", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, em comunicado.
Presos políticos
O Departamento de Estado, por sua vez, instou o regime de Raúl Castro a permitir ao relator especial da ONU e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha o "pleno acesso" às prisões e aos presos políticos.
Segundo a Anistia Internacional, Villar estava prestes a receber o reconhecimento de "prisioneiro de consciência".
Para a organização Human Rights Watch, a morte de Villar mostra como o regime cubano "castiga" os dissidentes. "Prisões arbitrárias, julgamentos viciados, encarceramentos desumanos e assédio a familiares são as técnicas usadas para silenciar os críticos (ao regime)", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da organização, que pediu o fim das ameaças a Maritza Pelegrino Cabrales, viúva de Villar, e garanta que os dissidentes possam assistir ao funeral.
A presidente Dilma Rousseff tem viagem oficial programada para Cuba nos próximos dia 31 e 1/2. De lá, ela segue para o Haiti.