Numa semana repleta de ocorrências policiais, ao menos oito casos de roubo à mão armada foram registrados em Bauru nas últimas 48 horas. Além de medo e intimidação, os casos também foram marcados pela agressão às vítimas, situação que provocou contra-ataque imediato por parte da polícia. A ideia, inclusive, é intensificar o patrulhamento em alguns cruzamentos da cidade, onde condutores foram rendidos ao parar o veículo em respeito ao semáforo, tanto de madrugada quanto à luz do dia.
No entanto, o sol ainda nem tinha raiado quando metade dos casos chegou ao conhecimento das autoridades. Quatro roubos ocorreram em apenas duas horas, entre 3h e 5h da madrugada de sexta-feira. Além da ação criminosa ser semelhante em todos os delitos, eles foram concentrados na região central e na Zona Sul de Bauru. As vítimas, maciçamente masculinas, estavam na direção de um veículo, ou se locomoviam até ele ou ainda circulavam a pé pela rua.
Por estar em trânsito, a Polícia Militar estabeleceu uma ofensiva contemplando essa característica da nova onda de assaltos. Durante a noite, viaturas da Força Tática ficarão estacionadas nos cruzamentos mais perigosos. De dia, em função do trânsito, a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) terá a mesma missão. Além dos pontos de estacionamento nas imediações de semáforos, ainda farão patrulha em áreas de banco, com aglomeração de pessoas e próximo a agências dos Correios, por exemplo.
Embora as esquinas específicas onde o trabalho será realizado não tenham sido divulgadas, a reportagem noticiou casos de abordagens em semáforo na quadra 10 da avenida Getúlio Vargas, no cruzamento das ruas Araújo Leite com Primeiro de Agosto e na rua Presidente Kennedy com a avenida Nações Unidas.
Já a Cavalaria se concentrará na região do Bauru Shopping. No local, o movimento é ainda mais intenso às quartas-feiras por conta da meia entrada para o cinema, benefício que atrai grande volume de famílias. Às sextas à noite, é a vez dos jovens tomarem o local e suas imediações. Por essa razão, policiais a cavalo percorrerão as proximidades, como já fazem, além de patrulharem a Praça da Paz e restaurantes próximos, onde garotos e garotas se concentram. A rua Henrique Savi, por exemplo, receberá atenção especial.
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Práticas criminosas são ‘importadas’ de cidades
Por conta do grande número de instituições prisionais instaladas em Bauru e dos constantes abandonos por parte de reeducandos das unidades semiabertas, várias práticas criminosas são "importadas" de centros maiores, na opinião de Cledson Luiz do Nascimento, delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). De acordo com ele, como o know how é passado entre eles, algumas modalidades antes raras na cidade agora tornaram-se mais comuns. É o caso das abordagens em semáforos.
"É uma somatória de fatores que acontecem juntos. Embora os registros não sejam altos, afetam as pessoas. Para resolver o problema tem é preciso intensificar o policiamento e haver o pronto esclarecimento dos casos.", ressalta.
Assalto em semáforo
Ao respeitar a parada obrigatória determinada por um semáforo na Getúlio Vargas, cruzamento com a rua Ignácio Alexandre Nasralla, um motorista de 38 anos foi rendido por um ladrão dentro do próprio carro, na madrugada da última sexta-feira. Conforme relatou à reportagem, ele não estava com as portas travadas. Caso contrário, talvez tivesse sido parado sob a mira da arma que, durante o roubo, permaneceu encostada em sua barriga.
A tensão aumentou quando, ao pegar a carteira na bolso traseiro da calça, ela enroscou. O receio era de que o ladrão imaginasse uma reação. Ainda assim, a vítima tempo de observar que uma segunda pessoa dava retaguarda a pé. Quando o homem deixou o veículo para olhar o que tinha dentro da carteira, arrancou com o veículo.
O ladrão ainda teve tempo de dar uma coronhada no carro. Porém, fugiu com R$ 110,00 e o celular do motorista que, posteriormente, encontrou a carteira sem o valor em dinheiro.
‘Fissura’ torna crime mais perigoso
Representantes da Polícia Civil e Militar são unânimes ao afirmar que o tráfico de drogas figura como mola propulsora para roubos. A informação já é de conhecimento popular. No entanto, muita gente ignora o fato do ladrão tornar-se mais violento por conta da abstinência da droga. Fissurado, faz qualquer coisa para conseguir dinheiro e assim trocá-lo por uma pedra de crack, por exemplo. Para demonstrar poder e superioridade em relação à vítima, neste caso, não hesita em feri-la.
"Se está sob abstinência forte, fica completamente descontrolado", alerta o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho. De acordo com ele, o ladrão ainda é escravizado pelo traficante. Se estiver devendo na boca de fumo também entrará em desespero para saldar o débito. Da mesma forma, topará qualquer iniciativa para evitar uma eventual retaliação.
Para piorar, seja qual for a índole do cidadão, está todo mundo mais impaciente, situação que aumenta o perigo em ocorrências desta natureza, pondera o comandante da Base Comunitária Centro/Sul da Polícia Militar (PM), capitão Paulo César Valentim.
Os casos registrados durante o dia, no Centro da cidade, normalmente são cometidos por usuários, que necessitam de outra pedra logo que despertam do longo sono provocado pelo crack, acrescenta Garcia. Roubam celulares e carteiras próximo a vias como a Batista de Carvalho e a Ezequiel Ramos. "No ano passado, o roubo a transeunte foi nosso principal problema na área central", explica o comandante. O problema foi herdado em 2012.
Andar em grupo não é sinônimo de segurança
Engana-se quem imagina que andar em grupo é sinônimo de segurança. Como acontece em capitais e cidades grandes, ladrões agora preferem delitos no atacado. Tanto que na última sexta-feira um grupo de rapazes foi assaltado na cidade. Também incorre em erro acreditar que a superioridade numérica do grupo é uma boa prerrogativa para uma eventual reação.
"Não é. Quem assalta um grupo sozinho, tem retaguarda. Não está sozinho como aparenta. Seu comparsa também pode estar armado", alerta o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia filho. Se os bandidos estiverem em três, aí é praticamente impossível sair de um revide sem qualquer dano físico, garante.
"A Polícia tem a técnica nestes casos. Em ocorrências assim, só um policial conseguiria se desvencilhar. Além disso, ao bater em vítimas, o bandido ganha nome do grupo", acrescenta.
Para evitar danos que não sejam apenas físicos, as vítimas também não devem encarar seus algozes. A iniciativa os melindra e provoca reações, já que coloca em dúvida a superioridade que tentam demonstrar, embora a maioria esteja muito nervosa ao praticar o crime. Pelo mesmo princípio, Garcia ainda recomenda a eventuais vítimas que não respondam de forma ríspida.
Deve-se ainda desconfiar de quem veste blusão com capuz em pleno verão bauruense. Em muitos casos, o dono do visual está se preparando para cometer um delito, sendo que a grande parte das vítimas é escolhida na rua e acompanhada por vários metros, antes de ser abordada.
Quem está na direção e também é vítima de criminosos normalmente foi seguido metros a fio até ser rendido. Portanto, ao notar qualquer aproximação, providências devem ser tomadas. No caso de pedestres, gritar fogo é alternativa recomendada pelo coronel. Sendo assim, a vizinhança correrá para socorrê-lo.