Recife- Os dois contêineres carregados de lixo hospitalar importado dos EUA e retidos desde outubro pela Receita Federal no porto de Suape, em Pernambuco, foram embarcados hoje em um navio cargueiro para serem devolvidos ao país de origem.
A carga, com aproximadamente 46 toneladas, será levada a um porto do Estado americano da Carolina do Sul pelo cargueiro "Cap Irene", de bandeira liberiana. A previsão é que o desembarque ocorra somente no início de fevereiro.
De acordo com o chefe da Polícia de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Gonzales, os produtos passarão por nova perícia antes de serem descartados.
O Consulado dos EUA no Recife informou que a empresa responsável pela exportação dos produtos, a Texport Inc., controlada por um brasileiro, continua sob investigação.
Ainda segundo o consulado, a Justiça norte-americana já apreendeu US$ 400 mil das contas da exportadora.
O esquema de importação do lixo hospitalar foi descoberto após a alfândega de Suape interceptar, nos dias 11 e 13 de outubro do ano passado, os dois contêineres carregados com lençóis, fronhas e toalhas usados, com logomarcas de hospitais dos Estados Unidos.
Sangue em tecido
Junto com tecidos manchados de sangue, havia seringas, drenos, máscaras e panos usados em cirurgias.
No dia 14, a reportagem encontrou lençóis semelhantes - também manchados e com marcas dos mesmo hospitais norte-americanos - à venda em uma loja da Império do Forro de Bolso, em Santa Cruz do Capibaribe, agreste do Estado.
A Vigilância Sanitária interditou o local. Dias depois, mais outros dois galpões da confecção foram fechados.
Exames feitos pela Polícia Federal, que investiga o caso, confirmaram que havia sangue em várias amostras de tecidos recolhidas nas três lojas.
Após divulgação do laudo, a Vigilância Sanitária estadual determinou a incineração das 50 toneladas de produtos.
O dono da Império do Forro de Bolso, o empresário Altair Teixeira de Moura, negou ter importado lixo hospitalar dos Estados Unidos.
Disse ainda que o produto foi enviado por um engano. Altair Teixeria Moura afirmou também ter encomendado só tecidos de algodão com defeito para a fabricação de forros de bolso em sua confecção.