Ser

Exposição aborda trajetória do MAM de SP


| Tempo de leitura: 2 min

Em 1963, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) teve toda sua coleção original, que pertencia a Francisco Matarazzo Sobrinho, doada ao Museu de Arte Contemporânea, da USP. Sem obras e sem sede definitiva, a instituição passava por uma crise que só seria amenizada com a chegada do espólio do colecionador e conselheiro do museu Carlo Tamagni (1900-1966), em 1967. No ano seguinte, o acervo foi exposto em um auditório emprestado. Em 1969, o MAM chegou ao endereço onde está até hoje.

Além de lançar um olhar sobre a trajetória do museu, a exposição "O Retorno da Coleção Tamagni - Até as Estrelas por Caminhos Difíceis" oferece a chance de conhecer as 81 peças do conjunto doado pelo conselheiro. Com foco em artistas modernistas, a mostra reúne trabalhos de Tarsila do Amaral, Volpi, Aldo Bonadei, Di Cavalcanti e Francisco Rebolo.

E ainda expõe uma série de documentos que tratam do período de 1963 a 1969, momento em que o museu ficou sem acervo e passou a ser apenas um nome. As cartas e outros papéis mostram a luta dos conselheiros da instituição para garantir a sua sobrevivência.

Felipe Chaimovich e Fernando Oliva, que assinam a curadoria da exposição, optaram por distribuir as peças e documentos de maneira não convencional. Para isso, contam com a "Máquina Curatorial", trabalho do artista argentino Nicolás Guagnini, uma estrutura giratória de painéis em forma de hélice, que serve de suporte para a apresentação das obras.

"A máquina tem cerca de sete metros. Como é móvel, a relação entre os trabalhos expostos muda cada vez que o visitante interfere na composição. Com isso, o conjunto não é mostrado de forma linear", afirma Chaimovich.

Outro diferencial da exposição é colocar no mesmo espaço obras contemporâneas para criar um ruído entre o passado e o presente. Marcelo Cidade, Laura Lima e Fabiano Marques estão entre os artistas atuais que foram selecionados para ocupar a Grande Sala, do MAM.

Já a instalação "Totó Treme-Terra", do coletivo Chelpa Ferro, uma mesa de pebolim que produz sons enquanto os jogadores disputam uma partida, foi colocada na Sala Paulo Figueiredo, na companhia de um retrato de Carlo Tamagni, feito pelo artista plástico Paulo Rossi Osir. Uma curiosidade é que, além do retrato de Osir, há outras três obras expostas que carregam a imagem do colecionador Tamagni.

Chaimovich esclarece que a proposta de unir trabalhos de épocas distintas é brincar com o lúdico. "Também pensamos em obras, que juntas, propusessem alguma problemática", diz.

Um outro detalhe que pode impressionar é a trilha sonora do museu. Como acontece desde 2009, o MAM abre espaço para DJs, que criam sons para seus diversos ambientes. O coletivo Fora do Eixo é quem assina a música da mostra.

Serviço

"O Retorno da Coleção Tamagni"
MAM - SP. Parque do Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/n. Tel.: (11) 5085-1300. Visitação: até 11/3. Ter. a dom., das 10h às 17h30. Ingressos: R$ 5,50 (grátis até 22/2).

Comentários

Comentários