Por conta da onda de assaltos que, em Bauru, tem vitimado especialmente quem está em trânsito, a Polícia Militar pretende retomar a discussão sobre a instalação dos semáforos com amarelo intermitente.
Esse tipo de sistema, bastante comum em cidades de maior porte, prevê, a partir de certo horário, apenas a luz de cor amarela ativa e piscante. O objetivo é que o motorista não pare o veículo e nem seja obrigado a desrespeitar o Código Brasileiro de Trânsito (CBT) ao avançar o sinal vermelho no período noturno. Somente neste ano, três motoristas foram abordados quando diminuíram a velocidade porque o equipamento deu sinal de passagem proibida em Bauru.
Ainda nesta semana, o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, pretende procurar o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, para tratar do assunto. Ocorre que há aproximadamente um ano, quando o tema também era discutido, a Diretoria de Sistema Viário da empresa chegou à conclusão de que o semáforo amarelo intermitente não garantiria a segurança da população em relação a assaltos em semáforos.
“Com a implantação (...), obrigaríamos todos os motoristas a reduzirem a velocidade e muitas vezes pararem nos cruzamentos, criando desta forma uma “onda vermelha”, e possibilitando que muitos motoristas imprudentes cruzassem o semáforo sem parar, podendo ocasionar acidentes graves ou até mesmo fatais, colocando em risco a vida dos demais condutores, fato que ocasionaria problemas de trânsito, o qual é de responsabilidade de nossa empresa. Por sua vez, trabalhamos como meta a redução de acidentes de trânsito em nosso município”, ressaltava a nota enviada à redação.
Ainda segundo a assessoria, os 114 semáforos de Bauru instalados na época já diminuíam do tempo de ciclo a partir da meia-noite, reduzindo a espera para a abertura do sinal verde.
O medo de tornar-se refém de ladrões ao respeitar o Código Brasileiro de Trânsito levou os entrevistados pela reportagem a apoiar a iniciativa. Todos, porém, também não descartam a preocupação com a segurança no trânsito.
“Como existe uma pressão social, talvez a Emdurb reavalie a posição. Vamos procurar o Nico já apresentando os pontos. Entendo que poderíamos fazer uma sobreposição de mapas (a da criminalidade com a dos semáforos)”, comenta Garcia. Ontem a reportagem procurou o presidente da Emdurb, mas não conseguiu contato.
Ele está em férias e deve retornar hoje ao trabalho.
Há perigo na esquina
Enquanto não há uma definição em relação à instalação dos semáforos amarelo intermitente, o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, orienta aos motoristas que diminuam a velocidade do carro ao perceberem que o sinal fechou. Enquanto isso, especialmente à noite, observem se há pessoas conversando na rua ou atrás de postes e árvores. Em caso afirmativo, o condutor deve considerar a situação suspeita.
Depois, resta a quem está na direção avaliar se deve ou não ultrapassar o sinal vermelho. Neste caso, está sujeito a acidentes e aos rigores do Código de Trânsito Brasileiro.
Fala-Povo: você é favorável ao novo sistema?
“Tem que colocar. Em Lençóis Paulista tem depois das 24h e nem na avenida mais movimentada houve aumento de acidentes”.
Juarez Marques, 35 anos, trabalha com estrutura metálica
“É uma excelente ideia para a segurança pública, mas pode resultar em acidentes. Ainda assim, acho melhor colocar”.
Sérgio Benica, 33 anos, trabalha com almoxarifado
“Eu acho uma boa ideia, mas o bauruense vai passar direto. Se todos fossem atenciosos, seria ótimo, mas ainda não tenho uma posição fechada”.
Irene Mogione, aposentada
Dupla sob suspeita
Em grande parte dos recentes casos de roubo registrados em Bauru dois homens figuram como autores, segundo relato das vítimas.
Um veículo de uma mesma marca também sempre é avistado por elas. Geralmente, contam que um deles está a pé e outro no veículo. A situação levou a Polícia Militar a desconfiar de duas pessoas já bastante conhecidas no meio policial. Como vivem em regiões humildes da zona Sul, atuariam nas proximidades. Porém, outros casos também foram registrados na parte baixa do Parque Bela Vista e do Parque Vista Alegre, próximo ao Terminal Rodoviário. Por lá haveria um reduto de usuários de droga, que se concentram na antiga cadeia pública, atualmente um prédio desabitado. Mas o volume de dependentes que por conta do problema oferecem risco à segurança pública é muito maior.
Ao menos 170 deles frequentavam diariamente a Favela São Manuel em busca de drogas, conforme o JC noticiou.
Dificuldade
Segundo o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, muitos desses dependentes foram beneficiados pela mudança do Código Penal, que abrandou a penalidade para quem comete pequenos delitos.
Em muitos casos, mediante pagamento de fiança, suspeitos são liberados, explica o coronel. “Isso dificultou nosso trabalho”, afirma.