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Pontes precárias desafiam a população

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 7 min

Conhecidas como "pinguelas", pontes ou passarelas de madeira, os acessos alternativos para travessia de bairros se tornaram um grave problema para Bauru. Neste final de semana, um casal teve ferimentos ao cair de uma ponte de madeira na Zona Sul, conforme noticiou o Jornal da Cidade. As condições precárias dessas travessias mostraram se estender a alguns outros pontos. No Jardim Flórida, por exemplo, uma ponte com um buraco de quase um metro ao centro ainda é utilizada por moradores e até motociclistas, que se arriscam para diminuir o trajeto. Perigo certo.

Na ponte de madeira que liga os bairros Jardim Flórida ao Bauru 2000 até mesmo o famoso personagem de filme, Indiana Jones, pensaria duas vezes ao se arriscar na travessia. A pinguela, que existe há alguns anos naquele local, é utilizada pelos moradores para suprir a falta de um atalho para o trajeto de quase dois quilômetros que, atualmente, liga regularmente os bairros.

Pensa para um dos lados, a pontinha se torna um desafio até mesmo para os que possuem um bom equilíbrio. Com uma estrutura de madeira, a ponte está completamente comprometida. Os corrimãos de ambos os lados estão soltos, algumas madeiras em estado de podridão e ao centro da ponte existe um buraco de quase um metro de comprimento

Com uma estrutura de aproximadamente 20 metros de extensão, a largura da ponte, que corta o córrego Barreirinho, chega a quase dois metros. Por ser larga, a passagem alternativa também se mostrou como um problema para os pedestres que utilizam o local. Veículos como carroças e motocicletas se arriscam por diversas vezes ao dia ao realizar a passagem. Além de comprometerem a segurança dos pedestres, a travessia desses transportes acaba danificando ainda mais a estrutura, que não foi feita para suportar tal peso.
Quem encara a passagem corre risco de pisar em falso, desequilibrar-se e cair no buraco de cerca de três metros de profundidade pelo qual o córrego Barreirinho corre. Já os motociclistas que se aventuram por ali, precisam de força, equilíbrio e sorte para manter-se no tronco de eucalipto que restou ao meio da ponte como sustentação da estrutura.

No momento em que a equipe de reportagem do Jornal da Cidade esteve no local, dois motociclistas pareceram desistir da travessia arriscada. Um deles, chegou a ir até o local, mas ao conferir o tamanho do buraco, ao centro da ponte, acabou voltando para trás.


Perigoso demais

O construtor J.L.R., 42 anos, também ficou apreensivo ao observar a situação em que essa passarela de madeira se encontrava. Ele conta que possui um terreno próximo ao local e pensa em construir uma casa para viver com a família. "A gente fica numa situação complicada. Eu tenho filhos pequenos, imagine se eu mudasse para cá... é perigoso demais cair aqui. Parece que eles esperam acontecer um acidente para poder arrumar essa ponte", manifesta o construtor.

No último domingo, o casal João Maria Rodrigues, 56 anos, e Cleusa Pereira de Souza, 57 anos, se arriscou na travessia da ponte de madeira, que liga o Jardim Europa ao Jardim Holanda, na zona Sul da cidade, e acabou caindo.

O vizinho, comerciante Luís Carlos Alves, 41, tomou as dores do casal. "Estivemos no PS para acompanhar tudo. Moradores ficaram indignados. A mulher foi atendida desacordada". O casal teve ferimentos no rosto, braços e pernas durante a travessia entre Jardim Europa e Jardim Holanda.


Outros pontos

Em outros dois pontos da cidade também foram constadas precariedades, não somente em relação às passarelas, mas também ao local de acesso dos moradores às pontes.

Um pedreiro de 44 anos morador da Vila Santista levava o filho de 3 anos na manhã de ontem, para soltar pipa, próximo a linha do trem no Jardim Santa Clara. Entre o mato alto e o caminho tortuoso da passarela de madeira o pai segurava firme a mão do garoto.

O local apresentava entulhos e lixos e a passarela era mais estreita, com cerca de 1,5 metros de largura. O corrimão estava todo enferrujado e a estrutura aparentava estar pensa para um lado. Essa passarela corta o rio Bauru.

Ao ser questionado sobre a frequência com que utilizava a ponte o pedreiro afirmou fazer uso do local por diversas vezes ao dia. Segundo ele, crianças costumam frequentar a passarela, principalmente em período letivo, no qual os estudantes moradores da região do bairro Santa Clara cortam o caminho pela ponte para chegar até uma escola localizada próxima a Vila Independência.

Ainda próximo a linha do trem e cortando o rio Bauru, outra ponte de madeira para circulação da população também chamou a atenção. Reformada na época de gestão do ex-prefeito Tidei de Lima, a passarela que liga os bairros Vila Independência e Altos da cidade possui quase 20 metros de extensão por cerca de 3 metros de largura.

Antigamente, o trajeto fazia parte da rota dos trabalhadores de uma fábrica que ainda existe no local. Apesar de possuir uma estrutura melhor do que as outras duas - base feita com estrutura metálica - essa passarela também mostrou precisar de manutenção. Por ser mais larga, a ponte parece ser utilizada não somente por pedestres, mas por carroças e motociclistas também. Algumas vigas que fazem parte da estrutura também apresentavam estado de podridão.

Com a chuva e a alta do rio Bauru as pontes, próximas a linha do trem, apresentam-se meios inviáveis à população por ficarem submersas. Essa situação colabora com a precarização das estruturas das duas passarelas.

Segundo uma estimativa da Secretaria de Obras de Bauru, a cidade possui para uso exclusivo de pedestres, ciclistas e eventualmente motociclistas, mais de dez passarelas.


Deterioração e maus hábitos

Para o coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, grande parte dos problemas que envolve as pinguelas está relacionada, além dos fatores naturais, ao descaso da própria população. "Os próprios moradores acabam colaborando com a deterioração das estruturas dessas pontes. As pessoas jogam entulhos, retiram as vigas, arames e até parafusos para uso próprio", enfatizou.

Além da deterioração provocada, Brito aponta que, acidentes como o do casal no último final de semana podem ser evitados pela população. "Infelizmente as pessoas, por conta da pressa do mundo de hoje, querem cortar caminhos para encurtar as distâncias e acabam se arriscando pegando esses atalhos, que podem ser perigosos ou até fatais. É preciso atenção para evitar tragédias. Um atalho além de encurtar o caminho pode acabar encurtando a vida da pessoa também", alertou o coordenador da Defesa Civil.


?Locais são irregulares, mas vamos resolver?

A Secretaria de Obras de Bauru foi questionada quanto ao problema das "pinguelas" em Bauru e afirmou "estar adquirindo" materiais para a realização das obras de manutenção até julho deste ano. "Apesar de grande parte desses locais serem irregulares iremos atender o pedido da população e mantê-los, pois não dá para construirmos passarelas de concreto em todos esses locais ainda. Estamos comprando pranchas de madeira, troncos de eucaliptos para realizar a manutenção desses e outros pontos", promete o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto.

Segundo ele, os agentes e engenheiros da prefeitura estão realizando um levantamento para serem diagnosticados os problemas e os pontos mais atingidos. Esse levantamento deverá apontar quais as pontes de madeira que entrarão para o programa de manutenção da secretaria. A previsão é de que o relatório esteja pronto até nesta sexta-feira. Ainda de acordo com o secretário, todos os anos é feita uma manutenção dessas pinguelas, entretanto, ele completa que o furto dos materiais pela população nesses locais acaba dificultando ainda mais o trabalho.


Interdição

Questionado quanto à situação problemática apontada na ponte que liga o Jardim Flórida ao Bauru 2000, o secretário afirmou que após o levantamento é possível que a secretaria peça a interdição de alguns pontos até que a manutenção seja feita.

Sobre o estado de conservação da ponte na qual o casal João Maria Rodrigues, 56 anos, e Cleusa Pereira de Souza, 57, caiu no último domingo, Eliseu afirmou que a pinguela é irregular e existe grande possibilidade de ser realizada a remoção da ponte de madeira em breve.

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