Bauru registrou na tarde de ontem o primeiro afogamento do ano. Giovana dos Santos Amorim, 4 anos, morreu após cair na piscina da casa dos patrões da mãe dela, no Jardim América. A mãe, Ana Paula da Silva, vive no Parque Real, entrou em choque e precisou ser medicada.
De acordo com sargento Silvio Carlos Rossi, a viatura da Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local e prestar os primeiros socorros à criança. "Estávamos nas imediações quando fomos acionados pelo Centro de Operações. Demoramos menos de três minutos para chegar. A mãe, Ana Paula, estava com ela nos braços na calçada. Fizemos bastante massagem cardíaca e acredito que também pode ter ocorrido uma congestão, pois ela expeliu bastante comida", explica.
A polícia informou que, no momento do acidente, a mulher estava dando almoço ao idoso que mora no local. Ao procurar a menina após alguns minutos, a mãe já encontrou a criança desacordada dentro da piscina e gritou por socorro.
Após a chegada dos PMs, a Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros chegou à casa, na rua Fuas de Mattos Sabino, e encaminhou Giovana ao Pronto Atendimento Infantil ? anexo ao Hospital de Base (HB), mas ela já estava sem pulsação, ainda segundo Rossi.
Tentativa frustrada
Para auxiliar a locomoção da UR ao PS e controlar o trânsito, foi acionada uma equipe da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicleta (Rocam). Rossi informou que o resgate não durou mais do que 10 minutos, entretanto, é impossível estimar há quanto tempo a criança já estava dentro da piscina. A equipe médica tentou reanimar a criança, mas ela não resistiu e morreu por volta das 14h30.
Segundo informações dos familiares que conversaram com a reportagem do JC, a mãe de Giovana trabalhava há mais de 10 anos na casa. Um dos tios da criança, Walter Luiz da Silva, irmão de Ana Paula, disse que, desde que nasceu, a sobrinha ficava sob os cuidados de uma tia, mas que ela havia começado a trabalhar. Mesmo matriculada em uma creche, Giovana acompanhava a mãe no trabalho, devido às férias escolares.
Casos dramáticos com crianças
Alguns minutos de descuido foram suficientes para que, no final da tarde de 24 de outubro do ano passado, uma menina de apenas três anos se afogasse na piscina da casa dos tios, no bairro Ribeiro, em Lins (102 quilômetros de Bauru).
Um dia antes, um caso semelhante foi registrado em Arealva. Na ocasião, um garoto de 3 anos, depois de poucos segundos de distração dos familiares, entrou em uma piscina e morreu afogado. O acidente ocorreu na tarde de domingo, 23 de outubro, em um lote localizado no bairro Jardim Primavera. Por volta das 17h15 a criança estava brincando perto da piscina quando entrou na água.
Dicas para evitar o pior
De acordo com Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru, no período de calor é primordial adotar medidas preventivas em locais como piscinas e poços.
"O ideal é a piscina ser construída em uma área isolada ou cercada. Além disso, existem mantas de cobertura para aumentar a segurança."
Ainda segundo Brito, famílias com crianças de qualquer idade devem redobrar a atenção em imóveis com essas características. Em período de férias e calor, prainhas e córregos também representam risco a banhistas. O melhor a fazer é ter bom senso e não abusar da sorte, só caindo na água em trechos conhecidos e seguros.
?Até os cachorros de casa ficavam alegres com chegada dela?, diz tio
A comoção tomou conta do Pronto Atendimento Infantil no momento em que familiares de Giovana receberam a notícia da morte. Populares que aguardavam atendimento vieram perguntar à reportagem o motivo dos gritos e dos choros. Ao saberem do ocorrido, as pessoas ficaram chocadas e pontuaram os perigos que uma piscina sem proteção pode causar à vida de uma criança.
A mãe da menina, Ana Paula, desmaiou e precisou ser amparada pelos médicos. Em estado de choque, foi medicada e permaneceu sob observação. Até o horário em que a reportagem esteve no local, o pai ainda havia sido localizado.
Segundo um dos primos de Giovana, ele trabalha na Usina de Asfalto da Prefeitura de Bauru e estava almoçando fora da empresa no momento do incidente da filha.
O tio, Walter Luiz, comentou que Giovana era a única filha do casal e que a família mora no Parque Real. "A Gi era uma criança muito extrovertida, estava sempre feliz, brincando com todos nós. Quando ela chegava em minha casa, até meus cachorros ficavam alegres com ela", comenta. Ele ainda disse que alguns parentes ainda não tinham recebido a notícia e que temia a reação da avó da criança, que sofre de hipertensão.