Washington - No mesmo dia em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo sua projeção de crescimento global, o Instituto Internacional de Finanças (IIF) anunciou que o fluxo de capitais para os mercados emergentes será 18% menor neste ano.
Na América Latina, porém, a revisão para baixo foi mais discreta. O Brasil, na contramão, deve registrar crescimento de pouco mais de 4% na entrada de investimentos.
O IIF congrega mais de 400 bancos e instituições financeiras do mundo, e, embora defenda os interesses do setor, seus relatórios são um termômetro importante das finanças globais. A projeção de ontem reduz as previsões do relatório de setembro, que previa contração neste ano em relação a 2010 e 2011.
Segundo o IIF, a entrada de recursos nos emergentes será de US$ 746 bilhões - queda de US$ 143 bilhões em relação ao esperado - neste ano e de US$ 893 bilhões no próximo, quando o grupo de 30 países deve receber US$ 338 bilhões a menos do que o previsto em setembro.
A mudança principal está nos mercados da Europa e da Ásia, mais expostos ao sistema bancário europeu, epicentro da crise. Mas todas as regiões tiveram suas projeções revisadas.
O grupo alerta que o risco de contaminação do sistema bancário cresceu, embora tenha ressaltado que a América Latina permanece mais resguardada, ainda que não totalmente segura.
"As dificuldades com os títulos da dívida em vários países europeus estão tendo impacto crescente na economia global e no clima nos mercados financeiros", disse Charles Dallara, diretor-presidente do IIF, em apresentação dos dados.
"A crise está contribuindo para que os bancos reduzam suas posições alavancadas, o que prejudica os prospectos de crescimento na Europa e também de fluxo de capitais para os emergentes."
Ou seja: os bancos europeus agora precisam pagar mais ágio quando buscam crédito na praça, e por isso não estão investindo muito além do que têm em caixa, cortando o fluxo para os mercados emergentes.
FMI reduz estimativas de crescimento
O FMI também falou em tom pessimista sobre a economia global ontem, revisando para baixo a expectativa de crescimento. Em 2012, segundo o novo relatório, o crescimento deve ser 0,75 ponto percentual abaixo do esperado, ou 3,25%.
No ano que vem, o avanço deve ser de 3,9%, com risco de recessão caso não haja ação mais efetiva na Europa.
A revisão mais drástica foi na zona do euro - 1,6%, o que culminou em uma previsão de retração de 0,5%, puxada sobretudo pela recessão na Espanha e na Itália.
A China também crescerá 0,8 ponto percentual abaixo do esperado neste ano, ou 8,2%, e a América Latina avançará 3,6% de acordo com o novo relatório.
O único país a não ter sua projeção de crescimento (1,8%) revisada foi os EUA.