A forte chuva que atingiu Bauru entre o começo da tarde e a noite de ontem, além de causar transtornos nos já tradicionais pontos de alagamento, como na avenida Nações Unidas, na avenida Rodrigues Alves, e em áreas na Vila Falcão e na Vila Giunta, por exemplo, também "judiou" dos bairros mais periféricos da cidade.
Nesses locais, onde ainda é grande a quantidade de vias não pavimentadas, o fluxo contínuo de água acabou criando desde pequenas valetas até grandes crateras, que acumulam água e oferecem risco à população.
"Bauru tem, hoje, mais de 2000 quadras de terra que precisam ser asfaltadas. Esse é um problema que se acumulou ao longo dos anos, mas a prefeitura está ciente da situação e está fazendo o possível para melhorar", garante o secretário de Obras do município, Eliseu Areco Neto.
"Ainda hoje [ontem], durante a chuva, eu e uma equipe da secretaria percorremos diversos bairros comprometidos com esse problema da falta de asfalto e já tivemos um panorama dos problemas", afirmou Areco. "Se o solo estiver mais firme as máquinas da prefeitura já vão iniciar os trabalhos de recuperação nas áreas afetadas", detalha.
Enquanto não tem a rua recuperada, a solução para os moradores destes bairros afetados é improvisar. O aposentado Odval Roberto, 70 anos, afirmou que "construiu" junto com vizinhos um tipo de "desvio" para conseguir redirecionar a água para a boca de lobo na rua Max da Fonseca Prado, na Pousada da Esperança 2. "A enchente descia por todos os lados, invadindo os quintais. O único lugar onde ela não ia era na própria boca de lobo", explica.
Mesmo assim, a funcionária pública Dolores Garcia Morales, 62 anos, a esposa de Odval, conta que a solução não pôs fim ao problema. "Minha garagem ficou cheia de água e lama. Até na sala da minha casa entrou água. Não faz nem dois meses que teve outra chuva dessas por aqui e aconteceu a mesma coisa", destaca.
Também moradores dessa via, o vendedor Ednaldo Silva Borges, 58 anos, e sua esposa Cristiane Aparecida de Carvalho, 36 anos, estavam apreensivos com a possibilidade de mais chuvas atingirem a cidade. "A cratera já está tão perto da nossa casa, que quando o tempo fecha nós ficamos com medo", relata Cristiane. "Não dá para deixar as crianças brincarem na rua. Nem dormir sossegado temos conseguido", completa Ednaldo.
Outras reclamações
Na foi apenas na Pousada da Esperança que a chuva tirou o sossego dos moradores. Um morador da quadra 1 da rua Joaquim da Costa Guimarães, no Jardim TV, entrou em contato com o JC e garantiu que a via estava completamente intransitável. "Aqui está uma calamidade que só vendo", queixou-se.
"A prefeitura ainda diz que aqui existe asfalto, mas não é verdade. Moro no bairro há 20 anos e a única coisa que fazem aqui é colocar mais terra para tampar os buracos abertos pela água", completa.
Pessoas que moram na Vila Industrial e também na Vila Falcão também procuraram o JC para relatar que tiveram algum imprevisto por causa da chuva.
Serviço
A Prefeitura de Bauru informou que as reclamações com relação às ruas afetadas pela chuva pode ser feitas diretamente para a Secretaria de Obras pelos telefones (14) 3235-1070 e (14) 3235-1111. Uma equipe de engenharia será deslocada até o local para avaliar os danos.
IPMet: 97 milímetros de água
Até as 20h de ontem, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp registrou 97 milímetros de precipitação em Bauru, quantidade de chuva maior do que o acumulado nos 15 dias anteriores – 70.5 milímetros. Segundo boletim do instituto, uma frente fria que avançou pelo Oceano Atlântico na altura do litoral sul de São Paulo, teria favorecido a formação de nebulosidade e áreas de instabilidade sobre o Estado.
Para os hoje, segundo o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a previsão é que que o clima continue instável, com muitas nuvens e chuvas periódicas. A temperatura mínima deve ficar em 18ºC e a máxima pode chegar a 28ºC. O bauruense só deve voltar a ver céu claro e sol neste fim de semana, quando as temperaturas devem oscilar entre 16ºC e 31ºC e praticamente não há previsão de chuvas.
Associação critica esquecimento
"Nós estamos esquecidos aqui. Precisamos chamar a imprensa para ver o nosso problema", lamenta o presidente da Associação dos Moradores da Pousada da Esperança 2, Carlos Roberto Figueiredo.
"A enxurrada que desce por essas ruas poderia carregar até um adulto. A prefeitura precisa fazer logo o asfalto antes que o dinheiro que foi gasto na construção dessas galerias e boca de lobo seja perdido", cobra. "Nós fazemos um apelo porque já não dá para chegar de carro até aqui e, em breve, nem a pé vai ser possível caminhar em vários lugares da Pousada 2", ressalta.
Veja os estragos que a chuva causou na Pousada II, em Bauru.