Política

Emdurb multiplica serviços de capinar

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Capinação e varrição foram as vedetes da prestação de serviços na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) no fechamento da produção do ano passado. A criação de frentes de trabalho e diversificação das atividades (com inclusão de serviços com mecanização e uso de químicos para limpar ruas e outras instalações públicas) fizeram a maior ?cliente? da Prefeitura de Bauru multiplicar a quantidade de serviços realizados e atrair receita.

O desafio da Emdurb para os próximos meses continua sendo o de oferecer preços de acordo com o mercado em vários itens, criar mecanismos de controle eficientes para as equipes e estabelecer parâmetros de produtividade. A gestão administrativa e o monitoramento estatístico de cada serviço prestado também precisa avançar. De qualquer forma, para uma empresa que há alguns anos ainda dependia de repasses adicionais da prefeitura para conseguir pagar suas contas, a ampliação de frentes de serviço e a regulamentação jurídica (que a tornou prestadora de serviços exclusivos da administração municipal) de seu funcionamento criaram alento.

O crescimento no serviço de limpeza pública não foi um achado. A gerência do setor aplicou o óbvio: percebeu que a prestação de serviços com uso de químicos e equipamentos é mais racional e produtiva que a mão de obra apenas braçal. Isso aparece nos números da produção interna.

O serviço de capinação química saiu de 331.320 metros quadrados em 2010 contra R$ 1.076.376 milhão de m2 em 2011, um crescimento de 224,88%. "A Emdurb criou frentes de dois turnos de operação, uma diurna e outra noturna e incluiu o serviço com trator, o que gerou melhor rendimento", comenta o presidente Nico Mondelli Jr. Para o caixa da Emdurb, isso representou arrecadação de R$ 556 mil no ano anterior, contra R$ 169 mil no período anterior.

Também foram criadas modalidades novas de capinação e roçada, com a mecanização. Só neste item, a receita adicional foi de R$ 284 mil em 2011. Por outro lado, a Emdurb ainda precisa concluir o processo de adequação de preços.

Alguns continuam exorbitantes frente ao mesmo parâmetro no mercado. Isso foi aplicado, por exemplo, com a capinação manual, onde o custo do metro quadrado cobrado da prefeitura saiu de R$ 2,15 para R$ 0,59. Conforme o comparativo oficial apresentado pela empresa, a eliminação do superfaturamento no item representou queda no valor pago pela prefeitura de expressivos R$ 3,3 milhões só neste serviço, mesmo mantidos os níveis de produção em m2 da capina manual entre 2010 e 2011.

A empresa municipal ainda conquistou receitas novas com poda e corte de árvores (R$ 117 mil em 2011) e coleta de galhos, que teve um aumento de 179,93% na atividade (receita total de R$ 259 mil no ano passado). O discutível, nesse segmento, é a fixação do contrato por "hora/homem". Sem mecanismos eficientes de controle e produtividade, a nota fiscal pode trazer despesas que não expressam a realidade.

Como ainda patina na regionalização de serviços e no estabelecimento de metas por equipe ou setor, também há que se discutir o risco da relação entre cliente e contratante, afinal o comando da Emdurb está sob a guarda do prefeito e por indicação deste. Na capina e limpeza de entulhos em escolas e canteiros de avenidas, por exemplo, a Emdurb não apresentou informações (com documentos) para checagem da área considerada para o faturamento e a fiscalização da medição (pela prefeitura).

Mas os ajustes nos procedimentos também podem atingir outros setores. Há pouco tempo a empresa deixou de prestar serviços sem receber. A fábrica de placas era a "vilã" dessa história. Não por outra razão, a gestão da Emdurb também tem de rever procedimentos de escala de serviços.

Qual a razão de concentrar em torno de 16 caminhões trabalhando durante o horário comercial (disputando espaço com o já caótico trânsito bauruense) contra cerca de quatro veículos à noite (quando as ruas estão praticamente vazias)? Por que não contratar equipes específicas para a escala noturna, facilitando, inclusive, o sistema de distribuição e rodízio da frota e minimizando o "aperto" no setor de manutenção e oficina?


Preços e serviços

A necessidade de adequação de preços e de comparativo real para diferentes serviços prestados continua sendo desafio para a Emdurb. De outro lado, alguns indicadores confirmam evolução de recurso sustentado na majoração do valor cobrado da Emdurb com base em planilhas que trazem cotações do mesmo serviço em cidades de portes completamente diferentes de Bauru.

Por esta razão, a empresa municipal não demonstrou, por exemplo, argumentos seguros para argumentar pelo aumento no serviço de operação do aterro, que saiu de R$ 29,58 a tonelada para R$ 42,31 a tonelada. Com isso, enquanto o crescimento no volume de serviços de um ano para o outro ficou em 5,25%, a receita cresceu R$ 1 milhão em um ano.

Em menor incidência, a variação de custo da varrição de ruas e avenidas também gerou R$ 900 mil a mais para a Emdurb em 2011, basicamente sustwjhentada na mudança do valor de R$ 35,24 o Km para R$ 42,31. Ressalte-se, além disso, o crescimento de 43,44% no volume capinado, com a inclusão de frente de trabalho na região do Parque Vitória Régia.

Vale apontar, ainda, o ajuste em preços absurdos, como a capinação mecanizada por m2, que saiu de R$ 2,15 para R$ 0,16 o metro quadrado. A medição separada por trator e a inclusão da máquina para trabalhar gerou aumento expressivo de faturamento (de R$ 50 mil por seis meses em 2010 para R$ 284,7 mil para 12 meses em 2011).


Comparativo de custos

A Emdurb ainda não conseguiu se adequar à essência implícita na determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em relação ao parâmetro de mercado para cobrar por seus serviços do bauruense, através de nota fiscal paga pela prefeitura.

Essa distorção se reflete no contrato. A outra parte no incremento da receita vem do aumento na quantidade de serviço prestado. Para o gerenciamento do trânsito e transporte, por exemplo, o contrato para o ano de 2012 passou a custar à administração municipal R$ 12.831.534,00, contra R$ 10.021.449,48 em 2011. Ou seja, 28% a mais.

Com 31 itens contemplados no contrato, dois foram os "vilões" para o aumento: o gerenciamento do transporte coletivo e o gerenciamento do trânsito e mobilidade urbana. O primeiro sofreu reajuste de 19% no valor cobrado por veículo utilizado no serviço de transporte público. O segundo ? ainda mais alarmante ? sofreu reajuste de 46,3% no valor cobrado por dia para que a Emdurb cuide do trânsito de Bauru.

Para o trânsito, a empresa justifica que a ampliação do programa de pavimentação implementado pela prefeitura em diferentes bairros exige mais ações (e pessoal) para o gerenciamento do setor. Para o transporte coletivo, a despesa adicional é justificada pela necessidade de contratar nova modelagem das linhas em 2012.

Quanto a serviços extras, a Emdurb assumiu neste ano tarefas como a instalação de lombadas, que antes eram colocadas nas ruas pela Secretaria de Obras.

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