Bairros

Ruas de terra ficam intransitáveis

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Ruas intransitáveis: um problema antigo, mas que poderia ser evitado com investimentos em infraestrutura. Há anos clamando por melhorias, os moradores da Estância Águas Virtuosas continuam sofrendo com as chuvas. Pessoas afirmaram estar isoladas em sua própria casa. A Prefeitura de Bauru informa intensificar ação de recuperação nos três próximos meses.

Localizado às margens da rodovia Bauru-Ipaussu, o bairro, apesar de parecer zona rural, fica dentro do perímetro urbano da cidade. Quem percorre o local observa a precariedade em que algumas vias se encontram. Trechos de ruas como a Osvaldo Torres de Vasconcelos, Agenor Lopes e Eupídio Petrolino Carlos só podem ser atravessados andando.

O vendedor Valdir Silvestre Bastos, 34 anos, é pai de Alana de Aguiar Bastos, 3, e conta que as dificuldades de morar naquela região é sempre a mesma quando chove. O morador afirma estar a três dias com o carro parado por conta das erosões que assolaram a rua de sua casa.

"Aqui é uma dureza quando chove: quem entra não consegue sair e quem sai não consegue entrar. Não saio nem por um lado e nem por outro da rua. Tenho que andar a pé cerca de dois quilômetros para pegar o ônibus na estrada e trabalhar. Com filho pequeno, esse trajeto é duro" , conta Bastos.

Ele é morador da rua Agenor Lopes, uma das mais afetadas na região. Quem se atreve a seguir a rua e passar pelos buracos observa a grande quantidade de entulho trazido pela enxurrada. Bastos ressalta que, por falta de estrutura e galerias pluviais, sua casa fica ilhada quando chove forte.

"O que salva a gente é que a casa foi construída numa altura um pouco maior porque, quando chove, inunda tudo. A água chega a quase um metro aqui. Agora que as chuvas passaram, ficamos dependendo da máquina da prefeitura vir até aqui e consertar a rua. Eles demoram muito pra vir e, quando vem, faz só um serviço quebra galho, está difícil."

O isolamento causados pelas erosões nas ruas também atinge a dona de casa Maria do Carmo dos Santos, 52 anos, moradora há mais de sete anos do bairro. "A chuva sempre castiga a gente, mas depois da chuva de quinta-feira complicou tudo. Minha filha tem uma mercearia aqui e ela fica dependendo dos desvios feitos pelos terrenos dos vizinhos para poder chegar".

Sem estrutura e com as ruas intransitáveis, Maria do Carmo conta que, há algum tempo, moradores abriram um desvio no terreno particular dos vizinhos para conseguir acesso às residências das vias de terra mais afetadas.


IPTU sempre chega


"As ruas já não estavam boas e agora, com as chuvas, ficou pior ainda. Nosso problema é a infraestrutura. Temos crianças pequenas, que precisam ir pra escola e mães que precisam trabalhar. Não temos mais ônibus e de carro não tem com passar. Nem o correio vem aqui, mas o carnê do IPTU chega", ressalta Conceição Morales, 37 anos, moradora da rua Osvaldo Cruz.

O pedreiro Claudinei Pereira da Silva, 33 anos, também lamenta o descaso com a falta de estrutura. "Tenho três filhos que frequentam a escola e o ônibus não entra aqui. Se chover mais, teremos que percorrer os três quilômetros a pé até a rodovia."

 

Trabalho envolve duas secretarias

A Prefeitura de Bauru informou que as secretarias municipais de Obras e Administrações regionais desenvolvem, junto a uma empresa, ações para recuperar as ruas de terra prejudicadas pela chuva. Segundo o órgão, as ruas citadas pela reportagem entrarão no cronograma de trabalho, mas a prioridade para recuperação são os pontos mais críticos.

De acordo com a prefeitura, no último dia 18 de janeiro foram iniciados serviços na Pousada da Esperança, Eldorado 2, Parque Jaraguá, cabeceira da Vila Dutra/Parque Santa Cândida e parte da Vila Industrial.

Outros bairros como Jardim Silvestri, Vila Santista, Parque Viaduto, Manchester e Tangarás deverão entrar a programação que será definida próximo ao final de semana. A previsão é de que a ação de recuperação de ruas de terra ocorra ao longo de 90 dias.

A Secretaria Municipal de Obras informou que, em período de chuvas, registra cerca de 40 reclamações por dia contra uma média de cinco em períodos de estiagem.

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