Noroeste e Ferroviária escrevem hoje mais um capítulo da história do futebol do Interior. Os clubes que nasceram com a Estrada de Ferro fazem, às 16h, no Alfredo de Castilho, o quarto embate entre as agremiações válido pela segunda divisão do futebol estadual.
Bem diferente dos tempos onde mediam forças na elite, os dois tradicionais adversários buscam retornar ao prestígio do futebol da Série A1.
Em partida válida pela quarta rodada do certame, o Norusca aposta na manutenção da formação titular que atua desde a primeira rodada. Aliás, o time que entra em campo hoje joga desde os jogos-treinos realizados na curta pré-temporada da equipe alvirrubra.
Mesmo com a entrada convincente de Alexandre na lateral-esquerda no decorrer do empate em 1 a 1 com o Penapolense fora de casa, Amauri Knevitz deve manter Velicka no setor. O comandante noroestino estuda a modificação apenas no decorrer do jogo, caso tenha necessidade de, por exemplo, poupar o meia-atacante Romarinho, desgastado com a sequência de jogos ? ele também participou da Copa São Paulo de Futebol Júnior, emendou a pré-temporada da A2 e não teve férias. Assim, Velicka voltaria a jogar em sua posição de origem, a meia. "Não há necessidade de mexer. Se houver, é claro que vamos fazer. Falo muito com o Alexandre, de não estar jogando e de o Velicka ser um jogador de meio e estar atuando na lateral. Achei melhor pegar um jogador do meio e colocar ali, que me dá uma melhor saída de bola. Com os resultados acontecendo não existe porque mudar", disse ontem, em entrevista à rádio Auri Verde.
Em sétimo lugar com cinco pontos ganhos dos nove disputados, o Noroeste pode chegar hoje à segunda colocação, já que o Red Bull manteve o 100% de aproveitamento e garante nove pontos.
Já a Ferroviária, com um ponto a menos, vem embalada pela primeira vitória conquistada na última rodada, quando bateu a Santacruzense por 2 a 1 jogando em seus domínios.
Diferente de Knevitz, Paulo César Catanoce, técnico da Ferrinha, não conseguiu manter o mesmo time desde a estreia. Mas hoje deve ser diferente. Isso porque o lateral-esquerdo Tatá e o volante Júlio César, que deixaram o duelo contra a equipe de Santa Cruz do Rio Pardo sentindo dores, estão confirmados para o embate.
O destaque do time de Araraquara ainda é o atacante Wellington Amorin, ex-Marília, São Caetano e Mirassol. No banco de reservas, Catanoce ainda pode contar com o experiente Fabrício Carvalho, que fez o nome jogando pelo São Caetano mas que segue sem a forma física ideal e fica apenas como opção para o decorrer do jogo. "Não haverá jogo fácil. Mandantes e visitantes terão dificuldades, pois todos querem estabelecer uma melhor pontuação. O Noroeste iniciou bem e vai querer dar sequência. O nosso intuito não é diferente. Embora a projeção feita para a largada em termos de resultado não tenha sido a esperada, a vitória em casa resgatou o moral dos atletas e melhorou nossa posição na tabela. Vamos a Bauru tentar complicar as coisas para o Noroeste, desenvolver um bom futebol e somar mais pontos", afirma Catanoce.
Clube corre para evitar problemas
Após enfrentar alguns problemas no setor operacional no jogo contra o Velo Clube, no último domingo, a diretoria do Noroeste promoveu algumas alterações ao longo desta semana para que esta situação não se repita, evitando transtornos aos torcedores e ao clube.
A empresa BWA, responsável pelos ingressos e acesso eletrônico, foi prontamente acionada e todo o sistema foi checado para que a venda dos ingressos e a entrada do torcedor no Estádio Alfredo de Castilho possa acontecer com organização, agilidade e segurança.
Mais portões do estádio e mais bilheterias estarão à disposição dos torcedores do Noroeste, que comprarão os ingressos e acessarão o estádio pela entrada principal, na rua Wenceslau Brás que contará com um portão a mais em relação ao jogo passado. Além de contar também com mais bilheterias, estas serão organizadas para facilitar o fluxo de torcedores. Já o portão lateral do estádio, na rua Benedito Eleutério, ficará reservado para a entrada da torcida da Ferroviária, bem como a bilheteria anexa a este portão. A abertura dos portões depende sempre do aval da Polícia Militar, que libera a entrada dos torcedores. A previsão é que os portões estejam abertos a partir das 14h.
Os preços dos ingressos são: arquibancada lateral R$ 10,00 (ingresso inteiro) e R$ 5,00 (meio ingresso). Arquibancada Central R$ 30,00 (inteiro) e R$ 15,00 (meio), Cadeira Numerada Coberta R$ 40,00 (inteiro) e R$ 20,00 (meio).
Dentro do estádio, a garrafa de água mineral 500 ml será comercializada a R$ 2,00 nos pontos de venda fixos, e a R$ 2,50 pelos vendedores ambulantes que circulam pelas arquibancadas.
Duelo já teve W.O. e jogo do "cai-cai"
Noroeste e Ferroviária já realizaram partidas memoráveis na principal divisão do campeonato estadual. Dentre elas, dois momentos marcaram também o folclórico futebol paulista.
No dia 5 de outubro de 1975, pelo torneio "José Erminio de Moraes Filho", o Norusca, literalmente, não fez esforço nenhum para bater o rival. Isso porque a Ferroviária, que havia batido o São Bento por 3 a 2 em Araraquara na rodada anterior, não compareceu ao Alfredo de Castilho e teve seu primeiro e único W.O. registrado.
De acordo com os registros da Ferroviária, à época, a diretoria fez a aquisição de um novo ônibus, e resolveu deixar a viagem até Bauru para após o almoço do dia da partida, deixando de lado a programação de pernoitar nas cidades em que jogaria. Acontece que a "nova máquina" da Ferrinha não suportou o trajeto de aproximadamente 120 quilômetros na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros e quebrou.
O ônibus ainda daria mais problemas à Feroviária, só que para o duelo em Sorocaba, as caronas salvaram o time de um novo vexame.
Cai-cai
Já em 1997, os times voltavam a se enfrentar na primeira rodada da Série A-2 do estadual. A Ferroviária fazia seu primeiro jogo na A-2 depois de figurar por ininterruptos 40 anos na primeira divisão (atual Série A1).
Com três jogadores expulsos, o placar em 1 a 1 em Araraquara, e a partida se aproximando do seu final, a comissão técnica do Norusca resolveu dar um "jeitinho" de encerrar a partida.
Os jogadores do alvirrubro caiam em campo, num verdadeiro "cai-cai", supostamente lesionados e com fadiga muscular. Quando apenas oito jogadores do Norusca permaneciam em pé no campo, o árbitro decretou o final do jogo. Como já haviam sido disputados dois terços do jogo, o placar seria mantido.
Inconformada com a atuação de gala ? pelo menos teatral - dos jogadores noroestinos, a diretoria da Ferroviária entrou na justiça desportiva. A Federação Paulista, por sua vez, entendeu que o time de Araraquara havia sido prejudicado, e a Ferroviária ficou com os pontos do confronto disputado no dia 23 de fevereiro de 1997.