Damasco - Os EUA decidiram ontem fechar sua embaixada na Síria e retirar do país o embaixador, Robert Ford, e 17 funcionários. A medida ocorre um dia após o presidente Barack Obama dizer em entrevista que a saída do ditador Bashar al-Assad "não é questão de ‘se’, mas de ‘quando’".
Também ontem, as forças de Assad voltaram a bombardear a cidade de Homs - um dos principais focos da revolta contra o regime, a 160 km da Capital, Damasco -, deixando pelo menos 50 mortos no dia, segundo ativistas.
O governo da Síria negou os bombardeios e voltou a atribuir as ações a "grupos terroristas" - a censura que o país impõe à imprensa impede a verificação independente das informações.
Estima-se que, entre sexta-feira e sábado, até 260 pessoas tenham sido mortas em Homs, no mais sangrento dia dos 11 meses de levante contra a ditadura. Apesar disso, no sábado, Rússia e China vetaram resolução da ONU que imporia sanções ao governo sírio.
Na entrevista que concedeu no domingo à noite à rede NBC, Obama insistiu na necessidade de solução negociada para o conflito na Síria, sem intervenção militar. Mas afirmou que os EUA têm sido "incansáveis" em dizer que o ditador precisa sair.
A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland, justificou a saída dos diplomatas de Damasco dizendo que a segurança se deteriorou muito, "o que mostra o caminho perigoso escolhido por Assad".
O Reino Unido, por sua vez, convocou para consultas seu embaixador na Capital síria, e o chanceler William Hague classificou a ditadura de Assad como "regime condenado, além de assassino".
"Histeria"
O chanceler da Rússia, Serguei Lavrov, que deve ir a Damasco hoje, disse que a reação ocidental ao veto à resolução contra a Síria ficou "à beira da histeria". Para os russos, o texto discutido na ONU era tendencioso e jogaria a Síria numa guerra civil. A China, que acompanhou a Rússia no veto, também repeliu as críticas do Ocidente.
Ontem, desertores do Exército sírio anunciaram a formação de "alto conselho revolucionário" para derrubar Assad. Ele será chefiado pelo general Mustafa al Sheikh, que fugiu para a Turquia e é o militar de mais alta patente a ter desertado até agora.