Tribuna do Leitor

Estatuto da Criança


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Gostaria de saber por que temos que dar valor e proteger esses adolescentes, na maioria das vezes criminosos escondidos em pele de inofensivas "crianças". Tenho 46 anos e desde os 11, trabalho. Sempre aprendi com meus pais que o caminho do crime não compensa, mas o que vejo hoje é totalmente o contrário. Trabalho em uma penitenciária de Bauru e depois que o meu "patrão", sr Geraldo Alckmin, tirou da esquina da minha residência a base Noroeste da Polícia Militar, instalou, duas quadras acima da mesma, uma instituição chamada de "semiaberto" da antiga Febem, hoje conhecida como Fundação Casa do ... Desculpem pelo palavrão, mas é o que parece.

Depois de ver várias vezes menores que vinham dessa instituição consumir droga na esquina da minha casa, ter tido vários desentendimentos com os mesmos e ter feito até ameaças, os mesmos pararam de usar o local para consumir as drogas. Mas o cúmulo do absurdo vi em 03/02/12, ao passar em frente à referida instituição. Me deparo com uma cena dantesca: vários menores acendiam em frente ao portão da instituição um cigarro, com certeza de maconha, muito maior que um cigarro normal, vendido em qualquer bar ou mercearia, o que não é permitido para menores de 18 anos, ao que me parece, com a conivência dos monitores ou o que lhes valham. Não querendo ser julgador, mas me parece que esse ato é natural. Deve ser pelo fato de que são "ininputáveis" os infratores, pois pelo que sei, ainda não liberaram o uso desse tal "canabis sativa" nem para os maiores, quanto mais para os "menores" internos.

Ora, se não podemos tentar consertar essa juventude, como poderei eu ressocializar um adulto quando, com certeza, após uma adolescência onde tudo se pode, "cair" dentro de uma penitenciária? As leis desse País são fracas, obsoletas, ridículas, graças aos legisladores do PSDB, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sempre deu valor às tranqueiras, e não ao trabalhador. Enquanto não endurecermos nossas leis, ninguém vai dar valor à liberdade, ao que é certo. Não poderemos nunca liberar o uso das drogas, e sim combater todos os níveis da cadeia que alimenta os traficantes. Usuário não pode ser confundido com "doente", usuário deve ser tratado como "cúmplice". Se não mudarmos o modo de ver essa situação, não conseguiremos ter um futuro péssimo, por que para ficar muito ruim, terá que melhorar muito.

Geraldo Donizete Rios, agente de segurança penitenciária

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