São Bernardo do Campo - Uma reforma mal feita no último andar do edifício Senador ou mesmo uma sobrecarga na última laje são algumas das hipóteses investigadas como causas do desabamento de anteontem em São Bernardo do Campo, no ABC.
As lajes dos 13 andares da construção, que fica no centro da cidade, vieram abaixo em efeito dominó, matando a menina Julia Moraes, 3 anos, e ferindo sete pessoas, segundo o Corpo de Bombeiros. Até a noite de ontem, 60 homens faziam buscas para localizar a enfermeira Patrícia Alves Farias de Lima,26 anos, sob os escombros.
"Foi observado, no 13.º andar, uma reforma em uma estrutura antiga, seria um vazamento. Foi feito um reparo e esse reparo não me pareceu conveniente", disse o delegado Victor Lutti. "Pode ter havido uma infiltração e ocasionado o acidente. Mas temos que aguardar os laudos da perícia", ponderou.
A polícia praticamente descarta a tese de uma explosão. Sobre o 13.º andar, há uma espécie de edícula, onde são armazenados materiais de diversos tipos. O que, dizem engenheiros, pode ser a chave do problema. "Provavelmente houve um uso errado do terraço do prédio", diz Luiz Alberto de Araújo Costa, presidente da Associação de Pequenas e Médias Empresas de Construção Civil (APeMEC).
Vários especialistas citam a tese da sobrecarga como a mais importante, mas levantam outras possibilidades. "A fundação pode ter cedido, por exemplo, por causa do rompimento de alguma tubulação de água", afirma Eduardo Barros Millen, presidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece).
O edifício Senador é de 1978 e tinha fins comerciais. A laje que caiu sobre as outras abrangia um conjunto comercial inteiro. Segundo o prefeito Luiz Marinho (PT), o edifício está com todos os alvarás em dia.
A médica cardiovascular Érica Patrício, 34 anos, disse que não teve explosão. "De repente, veio tudo abaixo."
Menina foi acompanhar mãe
São Bernardo do Campo - A professora Francisca Kelly Moraes, 31anos, tinha o privilégio de acompanhar de perto o ensino da menina Julia Moares, 3 anos. Mãe e filha iam e voltavam juntas do colégio particular em São Bernardo do Campo. Enquanto uma dava aulas, outra aprendia as primeira letras com as colegas da mãe.
"Ela era uma graça, espevitada. Agradava do porteiro à diretora", disse Sonia Rodrigues, 45 anos, professora de Julia.
Como sempre, Julia saiu anteontem da escola de mãos dadas com a mãe, que se encontrou com o marido, José Fabrício de Moraes. Juntos, os três foram para ao edifício, onde funcionava o consultório médico. Às 19h20, tudo veio abaixo.
Julia pediu para entrar com a mãe na médica, mas o pai achou melhor que ficasse com ele. "Parecia um sonho que eu estava caindo", contou Moraes ao amigo Reginald Costa, 58 anos, pastor da igreja frequentava pela família. Ele contou que "se perdeu" da filha durante a queda. "Ele não teve fratura, parece, mas está com todo cortado", disse o amigo.