Turismo

Peru para jamais esquecer - Parte I

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 1 min

Com os glóbulos vermelhos em baixa fui desaconselhada pelo médico de viajar. Insisti que era meu sonho: visitar Lima, a Cidade dos Reis, Machu Picchu, a cidade perdida dos incas e o "umbigo do mundo", como Cusco é conhecida.

Tomei os remédios recomendados e afivelei as malas. Assim que sentei na poltrona do avião da LAN-Peru um senhor começou a falar.

Disse que eu me sentiria outra no retorno, pois ninguém consegue ficar indiferente ao lugar. Ele próprio estava retornando ao Peru depois de uma viagem a Cusco que lhe custou hospitalização. Teve uma crise renal grave depois de cruzar a Cordilheira, com um grupo de motoqueiros.

Em Lima, bem em frente ao hotel, havia uma farmácia. Preocupada com as recomendações médicas tratei de comprar remédios para o mal da altitude já que no dia seguinte partiria rumo a Cusco.

No desembarque, fiz exatamente o que o guia mandou: não carreguei malas, não andei depressa, descansei por algumas horas no hotel e tomei chá de coca. Perfeito. Saí, sozinha, para conhecer o centro de Cusco, andando normalmente, sem pressa.

Procurei o grupo e comecei a sentir falta de muitos deles. Baixas e mais baixas. Gente que não seguiu as recomendações e sofreu as consequências do ar rarefeito: dor de cabeça e náuseas. Eu que sai de Bauru doente, simplesmente sarei. Meus glóbulos vermelhos quase dobraram. Como me disse o senhor do avião: ninguém volta igual ao que foi do Peru.

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