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Lavagem da arquibancada pelo DAE vai a sindicância

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O uso de caminhões pipa para jorrar água nas arquibancadas do estádio Alfredo de Castilho pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) vai à sindicância administrativa. Este foi o argumento dado pela Diretoria de Apoio Operacional da autarquia para desistir de fornecer o prometido relatório do responsável pela área de serviços.


Pelas mídias sociais e através de e-mails e telefonemas, a redação do JC constatou a indignação da população ao comportamento operacional e de gestão da autarquia, enquanto falta água em vários bairros da cidade. O presidente Fábio Lara criticou a ação interna. “Pegar água de hidrante não tem explicação e não retirar o resíduo na oficina também não é explicável. Tem muita informação interna desencontrada depois que o caso veio a público. Por isso a sindicância é o caminho para apurar e tomar providências. Alguém tem de responder e vai responder”, citou ontem.


A “limpeza” do campo do Esporte Clube Noroeste foi realizada para atender a condição feita pelo clube para liberar o local para o sorteio do Minha Casa Minha Vida, programado para domingo, isso conforme o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O ofício solicitando o serviço foi assinado pela coordenadora do grupo multissetorial, a vice-prefeita Estela Almagro (PT).


Apesar da solicitação, bauruenses que acompanharam a movimentação do caminhão pipa do DAE desde a manhã da última quinta-feira reagiram com indignação. A medida foi questionada sob o aspecto da racionalidade, da conveniência e eficácia. Ontem, um servidor, por e-mail, foi irônico para falar da repercussão do tema dentro da autarquia: “O pessoal ficou revoltado. Mas quem é funcionário, peão, tem de cumprir o serviço determinado. Até São Pedro reagiu e mandou uma chuvinha hoje (ontem), para dar uma ‘lavada’ em todo mundo”, escreveu.     


Diversos bairros da cidade não contam com água para o consumo há anos em Bauru. O que mais revoltou os moradores foi ver o caminhão pipa do DAE sendo abastecido para jorrar água na arquibancada. Neste caso, a água serviu para “empurrar” temporariamente a poeira para perto do alambrado, no nível do gramado. A Divisão de Serviços do DAE não soube informar quantos caminhões foram utilizados. Entre os servidores, a informação obtida foi de que próximo de 22 caminhões com 10 mil litros cada teriam sido despejados nas arquibancadas.


O diretor Francisco Volpi comentou que havia obtido do responsável pelo serviço de caminhão pipa, Agenor de Souza, a informação de que “não teria sido utilizada água potável para limpar a arquibancada do Estádio do Noroeste”. Volpi disse que solicitou relatório do responsável, a ser apresentado com informações detalhadas do serviço.


Sobre as paradas para retirada de água, pelo mesmo caminhão pipa, no reservatório R5, perto do Hospital Manoel de Abreu, a justificativa inicial foi de ser uma ação para “retirar resíduos que ficam no fundo do caminhão”. O curioso é que a diretoria tem conhecimento que a limpeza é feita na oficina e não com o uso de água de reservatório.


O caminhão pipa estacionou próximo de uma área da arquibancada do estádio e um servidor se valeu do “jato d´água para limpar o assento de cimento”. O caminhão ainda tentou conexão para receber água do hidrante instalado na quadra 9 da Rua Salvador Filardi. O hidrante não funcionou. O caminhão, então, parou, novamente, no reservatório R5, onde a direção do DAE informa que aconteceu “a lavagem do excesso no compartimento”.

 

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