No que depender da Campanha de Combate à Aids no Carnaval, todos os casais de Bauru estarão protegidos contra doenças sexualmente transmissíveis em pelo menos uma noite de folia.
Por meio do programa desenvolvido pelo Ministério da Saúde, a cidade contará com a distribuição gratuita de 183 mil preservativos no período, uma média de uma camisinha para cada dois habitantes. Em épocas normais, o volume mensal disponibilizado é de 70 mil.
Segundo Eliane Monteiro, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, que desenvolve a campanha em Bauru, o principal foco da iniciativa são jovens de idades entre 15 e 24 anos, os que mais se expõem a situações de risco durante o Carnaval. "Ao que parece, o medo deles diminuiu em relação à doença, principalmente por conta dos tratamentos que existem hoje e prolongam a vida do soropositivo com boa qualidade. Mas a Aids continua uma doença grave".
Ela explica que a campanha possui uma preocupação especial em relação ao público homossexual, cujo índice de contaminação cresceu 10,1% entre 1998 e 2010. "Eles sofrem preconceito, muitas vezes dentro da própria família. Isso faz com que acabem relaxando na prevenção, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV", pondera.
Desde o início da epidemia, em 1984, até o ano passado, foram diagnosticados 2.013 casos de aids em Bauru, sendo 48 deles em menores de 13 anos e 228 na faixa etária de 15 a 24 anos. "Desse total, 74% são homens, a maioria deles entre 20 e 49 anos. Mas, como a aids pode demorar oito anos ou mais para manifestar os primeiros sintomas, é provável que já tenham sido infectados muito tempo antes".
Eliane aponta que a adolescência é período crítico porque, de maneira geral, os jovens costumam usar camisinha em relações eventuais, mas abandonam a proteção quando um relacionamento se torna estável. A tese é confirmada pelos amigos Fabiano de Souza, 25 anos, César Augusto Luiz, 20 anos, Bruno Modesto, 22.
Os três afirmam que só adotam o preservativo quando não conhecem a parceira, embora reconheçam que esta é uma prática de risco. "A gente sabe que é errado, mas é assim que a maioria faz. Se for uma menina que eu já conheço um tempo e confio, paro de usar mais ou menos depois de um mês", comenta Fabiano.
Ele diz fazer anualmente o exame para detectar HIV como medida para cuidar da saúde. César conta que fez o teste uma única vez e também prefere deixar de usar camisinha "apenas" quando começa a namorar. "Para mim, a camisinha é um incômodo. Não é a mesma coisa do que fazer sexo sem", opina.
Grande demanda
Embora ainda haja resistência dos casais quanto ao uso permanente do preservativo, Eliane avalia que a procura nas unidades básicas de saúde do município, onde eles são distribuídos gratuitamente, aumentou bastante nos últimos anos. A maior demanda, segundo ela, é atendida em cinco locais: núcleo de saúde central, Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado também no Centro, e postos do Núcleo Geisel, Mary Dota e Santa Edwirges.
"Preservativos ficam em pontos estratégicos, identificados e com acesso livre. A pessoa não precisa se identificar, fazer cadastro ou mesmo pedir permissão para qualquer funcionário. Esta medida facilita a retirada e não deixa as pessoas constrangidas".
A camisinha protege contra mais de 150 tipos de doenças sexualmente transmissíveis e previne gravidez indesejada.
Onde retirar
Os preservativos poderão ser retirados em qualquer uma das 18 unidades básicas de saúde do município, que também funcionam como postos de distribuição no restante do ano.
As camisinhas ficarão dispostas ainda no Pronto-Socorro Central (PSC) e Unidades de Pronto-Atendimento da Bela Vista e Mary Dota.
No dia 17 de fevereiro, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) fará entrega de preservativos e material educativo no Calçadão da Batista de Carvalho, onde há grande fluxo de pessoas.
No dia 18, será a vez de a Associação Bauru pela Diversidade (ABD) desenvolver atividades dentro da campanha, também com distribuição de camisinhas. Antes e durante os dias de folia, empresas e escolas parceiras, assim como as secretarias municipais, também desenvolverão iniciativas de prevenção à aids.
A quem recorrer
Em caso de suspeita de contaminação pelo vírus HIV, é possível realizar exame gratuito no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que fica na rua Quinze de Novembro, 3-36, no Centro. O teste rápido, feio a partir de amostra de sangue retirada da ponta do dedo, fica pronto no mesmo dia. Já o exame convencional, com coleta de sangue por meio de seringa, também detecta sífilis e hepatites B e C. Neste caso, o resultado é divulgado em cerca de 15 dias.