Tribuna do Leitor

Brasil sem oposição


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Em sucessivas burradas, o PSDB está prestes a perder a hegemonia política em São Paulo, condição que desfruta há mais de 15 anos. Não foram apenas os recentes episódios da Cracolândia e do Pinheirinho, operações em si necessárias, mas executadas com a habilidade de um macaco em loja de cristais.

São também as declarações públicas de seus próceres (FHC, Goldman, Serra e outros) onde aflora, agora de modo muito claro, a antipatia de FHC por Serra (aliás recíproca), a falta de estofo de Aécio Neves para assumir um papel de oposição consistente e programática e a absoluta ausência de renovação em seus quadros. Hoje a saga tucana é pirandelliana, vivendo de alguns personagens em busca de um autor. Cujo autor ainda não surgiu. O último grande autor, o ex-presidente FHC, por razões evidentes não participa mais da vida política ativa do partido.

Neste cenário, o PT e sua base de partidos encaminha-se para assumir o bastião paulistano e paulista. Porque o nacional já o tem, após os ditosos oito anos de Lula e os esperançosos quatro (ou oito) anos de Dilma. O que se aproxima do sonho "sérgiomottiano" dos 20 anos no poder, porém com sinal trocado.

A verdade é que os tucanos não sabem ser oposição, pensam que fazê-la é algo indigno para seus punhos de renda. No fundo, do alto de sua empáfia, se irritam com "este ato de insubordinação e rebeldia populares" que os pretere. Ou mesmo, como já dito por FHC em um de seus delírios, "o PSDB precisa parar de tentar se aproximar do povo".

Todavia, é o povo que elege. E volta as costas aos que lhe negam o poder originário e constitucional. Assim tem sido, assim será. O mal maior desta estranha paisagem política é que sem oposição a democracia adoece. E pode morrer por puro tédio.


Marco Antônio de Souza

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