Jaú – O depoimento do ex-diretor de comunicação Francisco Reginato Junior veiculado ontem na sessão da Câmara de Jaú (47 quilômetros de Bauru) desmente pagamento de propina, mas admite que houve pedido a um representante da empresa Consladel para ajuda financeira de R$ 3 mil mensais ao PTB no município. A quantia não teria sido liberada. Há uma semana, o vereador Fernando Frederico de Almeida Júnior (PMDB) apresentou em plenário e-mails onde o ex-assessor teria denunciado uma suposta viagem a São Paulo junto com Ricardo Franceshi à sede da empresa Consladel, empresa que ganhou licitação no setor de trânsito e foi a maior doadora à campanha do prefeito Osvaldo Franceschi (PV).
O contrato já foi alvo de Comissão Especial de Inquérito (CEI) no ano passado, cujo relatório foi enviado ao Ministério Público.
O vereador Paulo de Tarso Nuñes Chiode (PV), ligado à administração, afirmou ontem na sessão que doações de empresas são legais e a Câmara teria sido induzida a erro com as revelações dos e-mails. (leia texto nesta página)
Frederico pediu cópia da gravação para enviar ao Ministério Público, porque entende diferente: o ex-diretor confirmou que foi à capital acompanhado de Ricardo Franceschi e houve o pedido de dinheiro.
A gravação, na verdade, feita por um órgão de imprensa de Jaú tem várias perguntas direcionadas sobre o não envolvimento do prefeito.
Toda a polêmica se iniciou na semana passada quando da divulgação de dois e-mails. O material foi endereço ao vereador José Zanatto que não divulgou, mas o material acabou indo parar nas mãos de Frederico por intermédio do jornalista Sinai de Oliveira. O teor das denúncias vieram a público na tribuna do Legislativo no dia 13.
O primeiro e-mail, datado de 17 de março de 2011, o ex-assessor de imprensa da prefeitura de Jaú Reginato Junior relata a Oliveira ter acompanhado o que seria uma reunião entre Ricardo Franceschi e Jorge Moura, funcionário da Consladel.
Os dois teriam parado na sede da empresa de Transportes, na vila Maria. Após cerca de uma hora e meia, o funcionário Jorge Moura teria recebido os dois em uma sala e entregue a Ricardo um envelope.
Ainda no e-mail, Reginato afirma que, com certeza, o “famoso envelope pardo” teria como destinatário “Osvaldinho”, em referência a Osvaldo Franceschi Junior (PV), prefeito de Jaú. Na gravação divulgada ontem o ex-diretor nega ter se referido ao envelope e não envolve o prefeito.
Desmentido
Na gravação veiculada na tribuna da Câmara, a pedido do vereador Paulo Gambarini, Reginato Jr. confirma que foi à capital na Transladel, mas na condição de secretário geral do PTB e acompanhado de Ricardo Franceschi, presidente do partido em Jaú. Diz que não ocupava cargo na administração de Jaú nessa época.
Segundo o ex-diretor, estava sendo montada a “Casa do PTB”, primeiro escritório regional no Interior que tomaria conta de 36 cidades da região. “Precisaríamos do apoio de alguns empresários que pudessem ajudar na construção e manutenção dessa casa partidária. Meses depois fui ser assessor do Dr. Osvaldo Franceschi”, declara o ex-diretor de comunicação.
Ele nega pagamento de propina. “Conversamos com o Jorginho (Jorge Moura), conheço há 20 anos desde o tempo do Metrô. Nunca viajei para São Paulo com o Dr. Osvaldo (prefeito) e nem participei de reunião com Eduardo Franceschi (secretário de Finanças)”.
Na gravação o ex-diretor de comunicação afirma que a reunião foi realizada dois anos antes da Consladel ganhar a licitação e assinar contrato com a prefeitura de Jaú de serviços de trânsito. A empresa foi a maior doadora à campanha eleitoral do atual prefeito.
“Essa reunião entre eu, Dr. Franceschi e Jorge foi partidária. Jamais imaginava que ela (Consadel) ia ganhar a licitação do trânsito”, diz Reginato Jr. em entrevista a um jornalista de Jaú, que forneceu a gravação a vereadores ligados ao governo. Ontem a assessoria de imprensa do prefeito Osvaldo Franceschi também disponibilizou uma cópia ao JC. “Vou dizer mais: os R$ 3 mil (mensais) que eu e o Dr. Ricardo Franceschi pedimos, foi negado. Viemos com a cara no chão. Ele (funcionário da empresa) disse que não daria dinheiro. Não recebemos dinheiro para ajudar o PTB.”
Reginato Jr. na gravação veiculada no Legislativo declara que se aproveitaram de um documento particular. “Acho que o senhor Sinai de Oliveira (jornalista) assim como o vereador Frederico aproveitaram de um documento, não digo secreto, mas particular e divulgaram sem nenhum bom-senso e nem autorização”.
O advogado Ricardo Franceschi confirmou que o encontro foi para tratar de assuntos partidários e negou a suposta propina. Na última sexta-feira, ele disse que entrou com queixa-crime contra Reginato Junior, Sinai Henrique de Oliveira e Frederico.