Bairros

Orgânicos conquistam bauruenses

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos

Feira alternativa oferece sabor e produtos diferentes em cada barraca

Matilde Aparecida Motta Marchesini está acostumada a garimpar em Bauru os produtos orgânicos. Tão logo soube da Feira Agroecológica, passou a frequentar o local, facilitando suas compras. Antes tinha que realmente ir atrás, porque cada produto era comercializado num canto.


É mobilizando consumidores como Matilde Marchesini que a 1ª Feira Agroecológica de Bauru completará seis meses de existência neste sábado, 18, modificando os hábitos de consumo dos bauruenses.  A diretora de departamento e abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura, Elizabete Bueno Storto, pontua que, atualmente, integram os feirantes cadastrados na Agroecológica 18 produtores envolvidos em um processo para transformar a feira totalmente voltada para produtos orgânicos.


As verduras, Matilde adquiria direto da horta da produtora Eneida Muniz Carrasco, um das comerciantes da Agroecológica. Os ovos consumidos por sua família saiam do Sítio Cantinho do Sol, também comercializados na feira, e frutas vinham da Frutos da Natureza. Também fazia aquisições quando  produtores orgânicos do Bairro Demétria, de Botucatu, traziam sua produção em atividades da Escola Viver, de Bauru.  Agora, com todos os produtores num só lugar, as vendas de orgânicos estão potencializadas, inclusive pela diversidade de oferta.   




Aprovado


A feira alternativa ou orgânica, como denominam os bauruenses, oferece um sabor diferente em cada barraca. O professor universitário aposentado pela Unesp Geraldo Antônio Bergamo se deliciou ao experimentar o salgado assado da comerciante Telma Marques Freire, que produz artesanalmente com a ajuda do esposo Paulo César. Bergamo foi surpreendido com o recheio de carne de soja com brócolis. No preparo, Telma conta que o sabor é acentuado pela cebola e o alho refogados na água ao invés de fritos no óleo. A banquinha também dá opção do salgados com recheios de berinjela, ricota e escarola e cenoura e milho. A massa do salgado é preparada com farinha integral. O truque para potencializar o valor nutritivo da massa é acrescentar gergelim com casca. Telma explica que a casca do gergelim concentra cálcio. Bergamo levou de Telma dois pacotes de pães integral, além de um salgado para a esposa que percorreu as bancas escolhendo os produtos da feira.

 

  • Serviço


  • A  Feira Agroecológica ocorre às quintas-feiras, das 16h às 20h, na quadra 1 da rua doutor Fuas de Matos Sabino, próximo da avenida Getúlio Vargas.

     

     

    ‘Paz e alimentação vitalizante’


    O lema do casal Daniela e Rico Camargo poderia ser “paz, alimentação vitalizante e exportação”. O casal Camargo “exporta” para São Paulo uma iguaria desenvolvida por eles com base nos conhecimentos da ayrveda, a medicina milenar indiana.  Eles estão comercializando refeições congeladas para a revenda nas lojas Mundo Verde, na Capital.


    O produto também é comercializado para o bauruense na Feira Agroecológica. Rico comenta que o interesse do pessoal de São Paulo foi despertado, inicialmente, pela embalagem feita de papelão, material totalmente reciclável. O conceito que impregna cada bandeja de congelados é a alimentação vitalizante, com a manutenção ao máximo das propriedades nutritivas de cada alimento.  


    Uma porção de feijoada, por exemplo, leva coco seco, beterraba, asselga e queijo provolone, somados ao feijão preto. É incomum o provolone em uma feijoada. Porém, Rico explica que o casal chegou ao queijo após testar outros alimentos que pudessem fazer às vezes de embutidos e carnes, muito comuns na feijoada tradicional.


    Na banquinha do casal Camargo, os clientes degustaram, na última quinta-feira,  brownie integral, granolão de forno, brigadeiro natural e a cuca de maça, todos doces preparados com açúcar mascavo. No mix de produtos feitos por Daniela e Rico há também a linha de café da manhã, com variedade de pão integral. Rico explica que os dois estão avaliando as condições para abrir uma loja, porém, como a linha de produtos é de fabricação artesanal, os esforços do casal estão focados nas demandas da feira, pedidos e da “exportação” dos congelados. A marca criada pelo casal é Nataraja Alimentação Vitalizante.  


    Nos dias 9, 10 e 11 de março, o Espaço Nataraja em Bauru promoverá um curso sobre alimentação funcional e nutrição segundo os princípios da ayurveda.  O curso será com Goura Hari, membro da Academia Internacional da Ayurveda.

     

    Novo ponto de encontro em Bauru


    Quadra 1 da rua doutor Fuas de Matos Sabino, numa quinta-feira, fim de tarde, com uma aglomeração de policiais civis do 3º Distrito Policial. Não se trata em nada de uma batida policial. Mas somente os delegados da Polícia Civil Milton Bassoto Júnior, titular do 3º DP, e Carlos Creppe Júnior, saboreando as delícias da barraquinha do pastel da Feira Agroecológica.


    A tarde chama a noite num cantinho que se forma na praça Nabih Gebara com Fuas de Matos Sabino. Às 18h, as mesinhas distribuídas na praça estão todas ocupadas pelos consumidores, assim como o entorno das barracas.


    Dá para notar que o pessoal é habitue e transformou a 1ª Feira Agroecológica de Bauru em um ponto de encontro, às quintas-feiras. Um dos assuntos prediletos dos frequentadores é a busca de informação que transforme o ato da alimentação em um estilo de vida mais saudável.


    A cada parada em uma barraca, o freguês não sai sem degustar um produto inovador e bater um papo com o comerciante sobre a maneira de produção do alimento, os ingredientes, o que cada produto acrescenta às refeições, o modo de armazenar o alimento e o tempo de consumo.  Aqueles que são processados, como pães, congelados, bolos, doces e salgados, sempre vêm acompanhados de uma explicação sobre o ganho nutritivo.

     

    Da França para a Nabih Gebara


    A jovem cercada de sacolas aproveita a tarde de quinta ao lado do namorado em um banco na praça Nabih Gebara.  Junta-se ao casal Matilde Aparecida Motta Marchesini, mãe da moça e que traz mais sacolas com produtos da Feira Agroecológica.


    A designer Maria Cecília Motta Marchesini estudou design durante dois anos em Marselha, região sul da França, na costa do Mediterrâneo. Em janeiro do ano passado, Maria Cecília recepcionou a mãe na França. A jovem conta que os mercados franceses dedicam grandes espaços para os produtos orgânicos, que também têm grande destaque nas feiras livres francesas. “A legislação deles é bem rigorosa com o uso de agrotóxicos. Então, cada hora proíbem um produto em favor do orgânico”, revela Maria Cecília.


    Ela conta que os franceses mantêm a produção sintonizada com o calendário da natureza, cultivando os produtos da época, como as frutas, sem o cultivo intensivo.  Matilde aproveitou sua estada como turista na França para também comprar em Marselha os orgânicos franceses. Lá como cá em Bauru, Matilde comenta que os alimentos são produzidos em de áreas próximas aos pontos de comercialização na zona urbana. “E o preço é acessível”, completa Matilde. (RS)

     

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