Internacional

Adiada reunião sobre futuro da Grécia

Folhapress
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Atenas - O PIB da Grécia despencou 7% no último trimestre de 2

11 em relação ao mesmo período do ano anterior, o que acentua ainda mais a recessão econômica no país. No terceiro trimestre, a queda já havia sido de 5%.

 

A implementação de medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais colaborou para os resultados. Mas os números desanimadores não tiveram efeito sobre os líderes europeus.

 

Jean Claude Juncker, presidente do Eurogrupo (conselho de ministros das Finanças da zona do euro), adiou de hoje para segunda-feira a reunião para deliberar sobre novo empréstimo ao país.

 

Mesmo após a aprovação de um duro pacote de austeridade no Parlamento grego na madrugada de anteontem, em meio a protestos da população, Juncker diz que ainda há tarefas a cumprir.

 

A Grécia, segundo ele, não explicou aos credores como cortará 325 milhões de euros do Orçamento deste ano e não entregou a análise de sustentabilidade da dívida.

 

Por fim, os líderes dos partidos socialista e conservador, que integram a base governista, não enviaram aos órgãos da União Europeia a garantia, por escrito, de que manterão o pacote de austeridade após as eleições, no mês de abril. O tempo corre contra a Grécia. Uma parcela (14,5 bilhões de euros) da dívida vence no dia 2

de março.

 

Se o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional não liberarem o empréstimo de 13

bilhões de euros, o país pode declarar moratória e deixar a zona do euro.

 

Essa hipótese, contudo, já não assusta alguns dos líderes europeus. Wolfgang Schauble, ministro das Finanças da Alemanha, disse a uma emissora de TV de seu país que a Europa ontem está mais preparada para lidar com um calote grego e uma saída do país da união monetária do que há dois anos.

 

 

 

Efeitos da crise

 

A crise parece ter aumentado a rejeição aos imigrantes no país. “O centro já foi melhor. Hoje está cheio de pedintes, e a maioria não é daqui, vem da Bulgária, da Romênia, dos Bálcãs”, declara Panaiotis Petropoulos, 48 anos, que trabalha em um bar perto da praça Sintagma.

 

Para ele, mesmo em recessão e com alto índice de desemprego, a Grécia é uma opção melhor do que os países de origem, já que “todos os lugares sofrem com os efeitos da crise internacional”.

 

Já o vendedor de flores Steve Arvanitis, dono de loja vizinha ao Parlamento há 36 anos, acredita que o país passará por uma revolução em pouco tempo. “A culpa é mais dos políticos que da economia. Eles são todos iguais, todos corruptos. Durante a Olimpíada, em 2

4, os membros do Parlamento faturaram muito”. Arvanitis disse à reportagem que seus negócios estão indo “mal, muito mal”, e que 2

11 foi o ano de pior movimento desde que tem a loja.

 

 

 

‘Como nós vamos sobreviver?’, pergunta aposentado

 

Atenas - Enquanto bombeiros continuavam a lidar com a destruição do cinema Attikon, um prédio neoclássico do fim do século 19 incendiado durante os protestos em Atenas no domingo, Paul Panagopoulos, 77 anos, contava suas recordações do lugar.

 

“Eu costumava assistir a filmes no Attikon durante a infância, vim muito aqui com meu pai. O presidente da 2

th Century Fox, Spyros Skouras, foi por muito tempo o proprietário do Attikon. Se o local fechar, ficarei muito triste”, diz Panagoupoulos.

 

Ele conta que, durante a ocupação de Atenas pelos nazistas na Segunda Guerra, entre 1941 e 1944, o cinema exibia apenas filmes alemães. Nos anos seguintes, assistiu a muitos filmes americanos.

 

Panagopoulos também mostrou à reportagem que, a poucos metros do Attikon, outro cinema histórico foi atacado.

 

O Asti, que sofreu em menor escala, é um cinema subterrâneo que, durante a ocupação, serviu como prisão para o regime nazista.

 

Panagopoulos, aos dez anos, estava com o pai na praça Sintagma no dia 18 de outubro de 1944, quando George Papandreou, avô do político atual de mesmo nome, discursou à nação como primeiro-ministro.

 

Para ele, a crise atual ficará ainda pior, e o país não sobreviverá se continuar na União Europeia. “Os preços no mercado sobem cada vez mais, e mesmo assim reduzirão minha pensão, como nós vamos sobreviver?”

 

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