Auto Mercado

Dr. Automóvel: Mais respostas ao leitor

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 4 min

Como prometi, complemento hoje as respostas a outras perguntas formuladas pelos amigos leitores. Na semana passada, o Sr. Edison Maitino me "cobrou" uma resposta que não havia lhe dado, provavelmente perdida entre os e-mails. Peço desculpas se não respondi antes, mas não foi por vontade minha, pois sempre respondo a todos que me escrevem. Ele escreveu:

"- Obrigado pela rápida resposta. (...) Mas você ainda me deve uma resposta adequada sobre o (não) uso do freio e a resistência da maioria dos motoristas em trabalhar em marchas altas, ou seja, "deixar o motor medir marcha". Aliás, uma coisa está atrelada a outra."

Na verdade Edison, ao usar o freio motor, que é o ato de reduzir a velocidade usando o motor em conjunto com uma redução de marcha, economiza-se combustível e os freios. Mas manter o motor em alta rotação aumenta o consumo. O fato de esticar as marchas e mantê-las, ao invés de trocar por uma marcha mais alta, está errado. Da mesma forma que trocar rapidamente a marcha antes de acelerar o suficiente, também. Ambos os casos demonstram o mau uso do motor e câmbio, aumentando muito a emissão de poluentes e o consumo. Já expliquei antes que todo motor tem um atrito interno, que precisa ser vencido. Em baixas rotações este atrito é proporcionalmente muito grande, então o motor precisa ser regulado para queimar mais combustível em marcha lenta, de forma a vencer a resistência do atrito. Em faixas intermediárias de rotação, próximas da faixa de torque máximo, o motor tem seu melhor desempenho e o consumo específico é menor. Já em altas rotações, o consumo volta a ser elevado para manter a alta potência. Por isso é que sempre se recomenda escolher a marcha que mantenha a rotação do motor na faixa de torque máximo, para cada velocidade. Assim, o consumo e o desempenho serão otimizados. Quem pensa que sair em primeira e logo trocar para segunda e terceira estará economizando, errou feio. Seu motor trabalhará só em marcha lenta.

O Sr. Alcebíades Sebastião Motta também falou sobre as valetas existentes em todo lugar que se passa. Ficou indignado com a quantidade e, principalmente com a profundidade delas, que danificam seu carro por baixo. Eu também fico e vou mais longe. Acho uma irresponsabilidade da Prefeitura em fazer recapes asfálticos e manter as valetas na mesma profundidade. É lógico que ao recapear uma via, acrescentam-se mais alguns centímetros de asfalto. Se mantiver a valeta original, esta vai ficar mais funda na mesma medida. Isto faz com que os carros tenham que praticamente parar a cada esquina para passar sem bater em nada, prejudicando ainda mais o fluxo de tráfego. Isto é de uma incompetência bestial, falta de um engenheiro acompanhando a obra. E já se comprovou que valeta não resolve enchente e sim galerias pluviais. Nosso CREA poderia ficar de olho e denunciar, não? Já pensou se todo mundo entrar com ações contra a Prefeitura por danos em seus veículos devidos a buracos e valetas?

Já o amigo leitor Josué Machado, que também nos fez uma visita na fábrica, vem na mesma direção, perguntando sobre a necessidade de instalar ou não um protetor de carter, item quase obrigatório na lista de acessórios oferecidos pelas concessionárias. A meu ver, se fosse terminantemente necessário um protetor de carter, este viria de fábrica. Na Europa e nos Estados Unidos nem se pensa neles por serem absolutamente desnecessários, já que lá as ruas e estradas são de bom pavimento. Mas aqui, a coisa é outra. As lombadas são fora de especificação do Denatran, é só conferir. Ou são muito altas e curtas, raspando a frente ou a traseira, ou são longas demais, encavalando o veículo entre-eixos. Um bom protetor de carter ajuda a não bater a parte baixa do motor e transmissão, evitando amassados e vazamentos de óleo. Mas, em contrapartida, também diminui mais ainda a altura livre do veículo. Usar ou não o protetor é de livre escolha de cada um. Aqui em nossas estradas, eu optei em usá-lo e redobrar o cuidado.

Josué também me perguntou o que achava do uso de engates para proteger o pára-choque traseiro e de refletivos para segurança. Sempre achei os engates uteis para quem reboca carreta, desde que bem fixados às longarinas do monobloco. Como enfeites, se não forem bem fixados, à primeira batida na traseira, rasgarão a chapa do assoalho e o estrago será ainda maior. Quanto aos refletivos, use-os com bom gosto, bom senso e critério. Normalmente os carros já vêm com refletivos suficientes, portanto cuidado para não deixá-lo parecido com van escolar.

Comentários

Comentários