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Incêndio em prisão mata mais de 350

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

A Procuradoria Geral informou que 359 pessoas morreram no fogo que começou na noite de terça-feira na prisão de Comayagua, cerca de 75 quilômetros ao norte da Capital, Tegucigalpa.

 

A instalação penitenciária não era de máxima segurança e alojava mais de 8

prisioneiros, quase o dobro de sua capacidade. Muitos dos réus cumpriam penas relacionadas com o crime organizado.

 

Depois que o fogo foi controlado na madrugada de ontem, muitos corpos carbonizados foram encontrados no interior das celas, a maioria deles irreconhecível, segundo as autoridades. “É um cenário terrível que se observa na prisão”, disse a chefe da promotoria do Ministério Público, Danelia Ferrera, desde o interior da penitenciária.

 

Esse é um dos piores incêndios ocorridos em uma prisão na América Latina. Muitos presos morreram carbonizados, retidos em suas próprias celas, segundo testemunhas e a imprensa. “Ouvimos gritos das pessoas atingidas pelo fogo”, disse um preso a jornalistas, mostrando os dedos que fraturou em sua fuga do incêndio. “Tivemos que empurrar para cima os painéis do teto para sair.”

 

O país, a terceira nação mais pobre da América depois de Haiti e Nicarágua, tem o maior número de homicídios do mundo, com 82,1 assassinatos a cada 1

mil habitantes, segundo a Organização das Nações Unidas, e sofre com a violência dos cartéis do narcotráfico, gangues juvenis e prisões superlotadas. A delinquência aumentou pela presença dois cartéis de drogas do México, que estenderam seus negócios para várias nações da América Central.

 

Ajustes de contas são frequentes entre gangues, conhecidas como “maras”, que trabalham para os cartéis e isso se repete dentro das prisões, que também são palco de motins.

 

 

 

Desespero e morte

 

Enquanto familiares esperavam no lado de fora da prisão, os corpos eram preparados para serem levados a Tegucigalpa, onde médicos forenses terão um árdua trabalho devido à falta de funcionários e ao estado dos corpos. “Vamos recorrer à busca de impressões digitais nos casos possíveis e a outros recursos, como históricos dentais dos presos, ou mesmo se familiares puderem identificar alguma tatuagem ou algo particular em seu parente, ou mesmo o uso de DNA”, disse Ferrera.

 

Em meio à confusão sobre o número de mortos, a mídia local indicou que os mortos e desaparecidos somavam 4

2 pessoas. Os desaparecidos seriam presos que escaparam durante o incêndio.

 

O presidente de Honduras, Porfirio Lobo, disse em rede nacional que havia demitido de seus cargos os funcionários responsáveis pela prisão de Comayagua e a administração de prisões de todo o país para que a investigação seja transparente.

 

Centenas de pessoas esperavam desesperadas para conseguir informações sobre seus familiares presos, horas depois de ter lançado pedras contra policiais no lado de fora. Os agentes responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

 

As autoridades penitenciárias têm duas hipóteses sobre as causas do incêndio: um curto-circuito no sistema elétrico ou que um prisioneiro tenha ateado fogo num colchão.

 

Em maio de 2

4 numa prisão de San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras, morreram 1

7 presos, e em 2

3 faleceram 78 pessoas numa prisão da cidade de La Ceiba.

 

Honduras tem 12.5

presos, embora suas penitenciárias tenham sido construídas com uma capacidade para 6 mil pessoas.

 

O país centro-americano, que sofreu uma crise política depois de um golpe de Estado em junho de 2

9 contra o então presidente Manuel Zelaya, é caminho no tráfico de drogas em direção aos Estados Unidos.

 

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