Nova York - Com apoio do Brasil, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou ontem resolução condenando violações dos direitos humanos na Síria. Ontem, a repressão no país matou pelo menos 7
pessoas, segundo ativistas, e a onda de revolta se intensificou na região norte síria.
O relatório na ONU foi aprovado por 137 votos favoráveis, 12 contrários e 17 abstenções. Até as 19h3
(hora do Brasil), problemas técnicos impediam a contagem dos votos de todos os países. A delegação brasileira votou a favor do documento.
Pouco antes da votação, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pronunciou-se contra as mortes. “Todo dia o número (de mortos na Síria) sobe. Vemos bairros sendo bombardeados indiscriminadamente e hospitais sendo usados como centros de tortura.”
Segundo estimativa da ONU, mais de 5.4
pessoas morreram em 11 meses, e há milhares desaparecidos por se oporem ao regime sírio.
O texto aprovado pede que o ditador Bashar Assad transfira o poder ao vice, que seria responsável pela formação de um governo de união, pela convocação de eleições e pela permissão de acesso humanitário ao local.
A aprovação na assembleia tem força simbólica, já que as medidas propostas não são obrigatórias, mas denota pressão crescente sobre a Síria. Neste mês, os EUA fecharam sua embaixada no país.
O Brasil já votara na Assembleia Geral da ONU contra o regime de Assad, em novembro de 2
11, quando o órgão também havia se pronunciado condenando a morte de civis e outras violações.
Na semana passada, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, classificou a situação na Síria como “gravíssima” e “preocupante”.
No início deste mês, o Conselho de Segurança (órgão decisório do organismo) votou documento em que apontava abusos. O relatório foi vetado por China e Rússia.
O vice-chanceler da China, Zhai Jun, deve viajar hoje ao país. Ontem, ele afirmou que sanções ou ameaças não são caminhos para a resolução dos conflitos.
Segundo diplomatas, a condenação na Assembleia Geral era uma “mensagem forte” não só a Assad, mas aos países que ainda oferecem suporte ao regime. Além de China e Rússia, Venezuela e Coreia do Norte votaram contra a resolução na ONU.
Escalada da violência
A violência na Síria tem se intensificado. Estimativas apontam que, só nos primeiros dias de fevereiro, mais de 4
pessoas morreram no cerco a Homs, cidade-símbolo de resistência ao regime e que foi bombardeada anteontem pelo 13.º dia seguido. Segundo agências de notícias, também houve prisões de jornalistas na região de Damasco.
A Síria prevê um referendo no dia 26 de fevereiro sobre nova Constituição para o país. A oposição defendeu um boicote à consulta. Para os Comitês Locais de Coordenação, que organizam os protestos, a nova Carta proposta por Assad não representa avanço democrático.