São Paulo - O Irã suspendeu as vendas de petróleo às companhias petroleiras francesas e britânicas, anunciou ontem o porta-voz do ministério iraniano de Petróleo, Alireza Nikzad.
A notícia foi oficialmente divulgada através do site do Ministério.
Navios de guerra iranianos entraram ontem no Mediterrâneo para “mostrar o poder” da República Islâmica, em um momento de crescente tensão do país com Israel pela crise nuclear e os atentados anti-israelenses na Índia e na Tailândia.
O anúncio da presença da marinha iraniana no Mediterrâneo foi feito pelo comandante chefe da marinha, o almirante Habibolá Sayyari, após os navios atravessarem o Canal de Suez, conforme citado pela agência oficial Irna.
Ao mesmo tempo, no entanto, o principal negociador do Irã para os temas nucleares, Said Jalili, propôs em um encontro das potências do grupo 5+1 - Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha - a retomada na “primeira oportunidade” das negociações sobre o programa nuclear iraniano, sempre e enquanto forem respeitados seu direito à energia atômica com fins pacíficos.
O chanceler britânico William Hague, por sua vez, afirmou na sexta-feira que as ambições nucleares do Irã poderiam desencadear uma “nova Guerra Fria”, mais perigosa que a dos países ocidentais com a ex-União Soviética.
Os 27 países-membros da UE (União Europeia) decidiram parar de importar petróleo de Irã a partir de 1º de julho por conta do impasse em torno do programa nuclear do país, que o Ocidente acredita ser destinado à construção de bombas -fato negado pelo Irã.
Em 4 de fevereiro, o ministério iraniano do petróleo havia antecipado que o país certamente cortaria as exportações para “alguns” países da Europa.
Na quarta-feira, a Press TV, emissora iraniana que transmite em inglês, havia anunciado a interrupção das exportações de petróleo para seis países europeus - Holanda, Grécia, França, Portugal, Espanha e Itália - em retaliação às sanções às importações impostas pela UE. No entanto, Teerã negou em seguida as informações.
Inspetores pressionarão Irã
Inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) se dirigiram ao Irã ontem para negociações que têm como objetivo fazer Teerã começar a responder às crescentes preocupações da ONU de que o país está buscando desenvolver armas nucleares.
“Esperamos ter dias bons e construtivos em Teerã”, disse Herman Nackaerts, vice-diretor geral da Aiea, no aeroporto de Viena, pouco antes da equipe de cinco membros da agência da ONU viajar ao Irã.
Diplomatas do Ocidente minimizaram qualquer esperança de grande avanço na reunião de 2
a 21 de fevereiro, apesar dela ocorrer pouco dias depois de sinais de uma possível abertura para discussões diplomáticas na longa disputa.
“Ainda sou pessimista sobre o interesse do Irã em demonstrar uma substantiva e necessária cooperação”, disse um enviado.
Os desdobramentos da visita, que ocorrerá após uma primeira rodada não conclusiva de discussões no mês passado, poderão determinar se a disputa internacional sobre o programa de enriquecimento de urânio do Irã vai se acirrar ou dar elementos para redução das tensões.
O Irã nega acusações do Ocidente de que está buscando desenvolver armas nucleares, mas a sua recusa em conter o trabalho de enriquecimento de urânio, que pode ter propósitos tanto militares quanto civis, e bloqueios à investigação da Aiea criam preocupações.
As tensões cresceram nos últimos meses, com os Estados Unidos e a União Europeia adotando sanções sobre petróleo e Teerã ameaçando retaliação com o fechamento do Estreito de Hormuz, principal via de transporte do petróleo do golfo.