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Aproxima-se a Armageddon

Ney Vilela
| Tempo de leitura: 2 min

Uma empresa consultora de riscos políticos, nos EUA, afirma que as chances de Israel atacar as instalações nucleares do Irã são de 60% nos próximos sete meses. Essa empresa aposta que, nas vésperas de uma eleição presidencial, Barack Obama não teria como recusar apoio a Israel no caso de qualquer tentativa de retaliação iraniana.

Em Israel, o premiê Binyamin Netanyahu não demonstra o mínimo interesse pela paz. Ele continua a promover a expansão subsidiada dos assentamentos israelenses na Cisjordânia palestina e se refere a essas terras como sendo "Judeia e Samaria". O governo de Israel parece não entender que é insustentável promover a ocupação de terras alheias em pleno século XXI. Afinal, passou-se o tempo de se fazer ocupação colonial; imperialismo é coisa do século passado.

Em Teerã, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, reiterou total rejeição a qualquer negociação de paz com Israel. Ao seu lado, o aiatolá Ali Khamenei também renega qualquer possibilidade de negociações ao dizer: "O povo não espera nada além da continuidade da resistência palestina. O Hamas deve estar atento à influência de elementos que fazem concessões já que a irupção de tal doença (fazer concessões!) é gradual."

Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano, fez enorme alarde para o fato de que progride a capacidade iraniana de enriquecer urânio. Eis um caminho sem volta para a produção de artefatos bélicos nucleares e para um confronto com Israel. Além disso, Ahmadinejad diz que pretende fechar o Golfo da Pérsia, impedindo a navegação de navios petroleiros nessa região por onde circula 20% de todo o petróleo consumido em nosso planeta. Por seu turno, o governo dos EUA, por intermédio de Hillary Clinton, já disse que um eventual fechamento do Golfo da Pérsia é inaceitável e que os EUA reagiriam utilizando seu poder de dissuasão militar.

O grupo Hezbollah, que tem sede
no Líbano, não desmentiu sua participação em atentados na Índia e na Geórgia contra alvos israelenses. Isso parece indicar que as ações de terror contra Israel podem acontecer em qualquer país do planeta, independentemente de estar, ou não, envolvido em questões políticas ou econômicas do Oriente Médio.

Os que esses fatos, somados, indicam? Parece que temos que concluir pela falta de racionalidade dos líderes políticos ocidentais e muçulmanos. Esse pessoal está trilhando um caminho que está se tornando sem retorno. Além do mais, o silêncio da ONU no que tange à escalada de confrontos no Oriente Médio indica incapacidade de ação política e a insignificância do organismo internacional diante da complexidade dos problemas regionais.

Líderes cristãos, muçulmanos e judeus não conseguem se mirar nos exemplos de compreensão, generosidade e de respeito à vida que emanam de seus livros sagrados e da ação de seus profetas. Estão se aproximando da Armageddon. E nos arrastando para a aniquilação.


O autor, Ney Vilela, é coordenador do Instituto Teotônio Vilela

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