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Igreja debate saúde pública na Campanha da Fraternidade

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

As autoridades que cuidam da saúde desde o nível municipal ao federal terão cobrança “de peso” a partir de agora. É que começa hoje a Campanha da Fraternidade, promovida pela igreja católica em todo o País. Neste ano, o tema é exatamente “A fraternidade e a Saúde Pública”, seara bastante discutida e criticada em Bauru.

 

A campanha está em sua 48ª edição e ocorre todo ano durante o período da quaresma. Coordenada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o objetivo é exatamente trazer para a igreja católica os debates de temas importantes da sociedade. Em Bauru, a questão da saúde pública vai ser trabalhada em 41 paróquias.

 

Com o lema “Que a saúde se difunda sobre a Terra”, a campanha deste ano, segundo os coordenadores, foi pensada exatamente pelo equilíbrio que o ser humano deve ter. “A igreja sempre fala da saúde do espírito. Mas é preciso pensar também na saúde do corpo. Cremos na vida eterna, mas sabemos que é preciso cuidar do corpo da melhor forma possível”, explica o coordenador diocesano da campanha, Gerson Luiz Alves Pinheiro.

 

E para que o cuidado consiga atingir a “melhor forma possível” é preciso cobrar as autoridades. “Com certeza, é algo que ocorrerá. Porém, temos que, primeiro, saber quem devemos cobrar. É preciso entender o que depende de cada esfera: municipal, estadual e federal”, aponta o coordenador da campanha na diocese de Bauru, que envolve 14 municípios.

 

Em relação ao que será cobrado, ele afirma que cada paróquia é independente e, assim, vai focar nas suas respectivas demandas. Entretanto, conta que, mesmo antes do início da campanha, já houve contatos com a Secretaria Municipal de Saúde. “Já fizemos reuniões com o secretário (Fernando Monti) e todos já estão cientes de que, este ano, iremos enfocar e cobrar a questão da saúde pública. Parecem bem dispostos a contribuir”.

 

Uma das cobranças, segundo Gerson Pinheiro, será em relação à saúde preventiva. “Hoje, falamos muito do atendimento que a pessoa recebe já doente. Mas é preciso ter uma atenção maior ao preventivo. O Programa de Saúde da Família, por exemplo, é uma área acanhada para uma cidade como Bauru”.

 

A saúde pública no município é alvo de muitas críticas. Além das reclamações constantes de demora no atendimento, no ano passado, em meio a inúmeros problemas, a Câmara Municipal aprovou projeto que permite a prefeitura a participar da Fundação Regional de Saúde, alterando em muito a gestão. Outro episódio polêmico foi a greve, por falta de pagamentos, dos funcionários da Maternidade Santa Isabel e do Hospital de Base (HB).

 

 

Multiplicadores

 

Durante vários meses, a equipe diocesana realizou a organização e capacitação das paróquias para a campanha. “Nós trabalhamos com o efeito multiplicador. Apesar de a igreja fazer a cobrança, os fiéis são nossos principais multiplicadores. São eles que, após os debates, estarão conscientizados para cobrarem o poder público”, completa.

 

E em meio a estes fiéis, não estará somente quem é atendido, mas também quem atende. O coordenador da campanha na diocese de Bauru, Gerson Pinheiro, explica que este público-alvo é também um fator muito importante no processo. “Entre os fiéis, estão médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde. Temos que mostrar a eles que é preciso atender de forma humanizada. Tratar o outro como ser humano”.

 

Apesar de já começar a ser discutida e propagada nas paróquias bauruenses hoje, o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade ocorre no próximo domingo, em uma missa na Catedral, às 1

h da manhã. 

 

Dengue

 

Apesar de ter começado o ano com índices relativamente reduzidos, a dengue é um dos principais tópicos a serem discutidos nas paróquias durante a Campanha da Fraternidade deste ano. Segundo o coordenador diocesano de Bauru da campanha, Gerson Luiz Alves Pinheiro, é preciso ficar alerta justamente pelo que ocorreu em 2

11.

 

“Temos que conscientizar a população e cobrar medidas preventivas das autoridades. No ano passado, foram mais de 4 mil pessoas com a doença. Esse grupo já tem um grande nível de risco, pois, podem pegar a forma evoluída da dengue. É algo que iremos ‘bater’ bastante”, promete.

 

Tema recorrente

 

Esta não é a primeira vez que a Campanha da Fraternidade, que existe desde 1964, fala sobre saúde. Em outras duas oportunidades, a igreja católica discutiu modelos de gestão, atendimento e possibilidades em relação à área.

 

Segundo Gerson Luiz Alves Pinheiro, coordenador da campanha na diocese de Bauru, a primeira vez que o tema entrou em pauta foi em 1981. Três anos depois, voltou a ser o foco das discussões.

 

“O debate que fizemos nessas duas campanhas anteriores, com certeza, contribuiu muito. Hoje, o Brasil é o único país com um Sistema Único de Saúde (SUS). Não digo que seja perfeito. Há muitas falhas e problemas, mas, melhorou muito. Esperamos que o debate deste ano contribua ainda mais nessa melhoria”, destaca.

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