A Câmara Municipal de Bauru rejeitou nesta quarta-feira o projeto que propunha o financiamento de R$ 156 milhões da dívida da Companhia de Habitação Popular (Cohab). Dos 15 parlamentares presentes na sessão, oito foram favoráveis e sete contra. No entanto, a proposta exigia quórum mínimo de 11 votos para ser validada. Desde a chegada do projeto ao Legislativo, a oposição deixou clara que não votaria junto com o governo Rodrigo Agostinho (PMDB).
Na última tentativa de aprovar o financiamento da dívida da Cohab, o presidente Gasparini Júnior se reuniu com os vereadores durante o intervalo da sessão. Ele negou que administração não tinha interesse em aprovar o projeto, mesmo tendo articulado para que não fosse colocado na pauta ainda no ano passado, quando já havia tramitado por todas as comissões internas da Câmara. “Durante este período, tentamos buscar alternativas mesmo porque já sabíamos da resistência do Legislativo ao aprová-lo”, afirmou, rebatendo críticas de que o governo estaria de braços cruzados diante do problema da Cohab.
Gasparini comentou ainda que os títulos do primeiro financiamento, que totalizava R$ 42 milhões, não foram comprados pelo entendimento do Tesouro Nacional de que o município tem pendências junto à dívida federalizada. Para convencer os vereadores a aprovarem o primeiro projeto, em 2009, foi argumentado que o município poderia ter bloqueados os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
“Isso não aconteceu porque não foi efetivado. A partir do momento em que validar e as parcelas não forem pagas, o bloqueio acontece. Nós buscamos alternativas, mas, até agora, essa é a única que nos foi apresentada. Não se pode deixar que o problema perdure para que seja solucionado sozinho. Esse tipo de coisa não se resolve mais politicamente”, avaliou o presidente da Cohab.
Além disso, ele pontuou que a negociação junto à Justiça Federal e a Caixa Econômica Federal (CEF) viabilizaria o perdão da taxa de impontualidade, que, segundo Júnior, já foi de R$ 8 milhões e, hoje, está em R$ 56 milhões.
Segundo Gasparini, se todos os financiamentos fossem efetivados, a Cohab teria a pagar mensalmente R$ 2,4 milhões, sendo que a receita atual é de R$ 3,5 milhões, com R$ 300 mil comprometidos com folha de pagamento. “Temos condições de arcar. Isso foi consequência da política de cobranças aos mutuários. Quando assumi, a inadimplência era de 70% e, hoje, é de 30%”, afirmou.
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