Turismo

Chapada Diamantina: Cenário azul

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 8 min

O complexo da gruta da Pratinha inclui também, pertinho dela, a Gruta Azul. A gruta é um lago de águas transparentes formados pelo lençol freático da Gruta da Pratinha. Nela não se pode tomar banho e a surpresa fica por conta de raios de sol que incidem na água cristalina entre os meses de abril a setembro, entre 10 e 15 horas, podendo formar um efeito incrível de grande azul.

No local também há restaurantes e você pode ainda comprar cristais e as diferentes pedras da Chapada.

wPoço Azul ? O Poço Azul fica no município de Nova Redenção. É formado por duas cavernas e um lago de águas cristalinas. Lá é possível ver as formações rochosas em detalhes. O poço foi alvo de pesquisas, descobertas e documentários já exibidos na TV por assinatura. O cenário é surpreendente! Pesquisadores encontraram no fundo do poço esqueletos de preguiças gigantes datados de 10 milhões de anos, e outros animais. O local deve abrigar um no futuro, um museu onde os ossos ficarão expostos.

O acesso é feito com acompanhamento de guias em área limitada. O banho é permitido no local, mas antes é preciso tomar um banho gelado de ducha para retirar o protetor solar e o repelente. E é necessária muita atenção. A profundidade inicial é de 4 metros, mas conforme os guias, pode chegar a mais de 20 metros. Como a água é cristalina e há a presença de calcário, a luz do sol que penetra no poço torna a água azul e o que está profundo parece estar próximo do alcance das mãos. Se você apenas flutuar sem fazer grandes movimentações na água passa a impressão de estar voando. Dependendo da época do ano e da incidência do sol no poço o cenário fica ainda mais belo.

Comida caseira

Outra curiosidade do Poço Azul, mais um capricho da natureza na Chapada, é que uma de suas entradas tem o contorno do mapa do Brasil. O local possui restaurante. Dona Alice e suas ajudantes fazem uma comidinha caseira deliciosa.

wIgatu ? Xique-Xique de Igatu foi uma das capitais do garimpo. A estrada que leva até ela e se estende sobre a serra foi toda feita em pedra assentadas uma a uma por escravos. Dela se avista a cidade de visual incomum. Parte dela, com novas construções, habitada por seus moradores, e parte dela, a área em que moravam os garimpeiros no século 19, toda de pedra, desabitada e em ruínas, como uma cidade fantasma. Conhecida como Machu Picchu brasileira ainda guarda o calçamento das ruas de pedra, os muros, paredes e até telhados das casas são de pedra.

As casas mais rústicas são chamadas de tocas. Eram feitas aproveitando a cavidade de rochas, onde os garimpeiros erguiam com pedras, uma ou duas paredes e ali se acomodavam... sem conforto, sem dignidade, movidos pelo sonho da riqueza.

Lá você pode conhecer também o Museu Vivo do Garimpo e a Galeria Arte & Memória de Igatu que mantem em exposição ferramentas usadas no garimpo manual, documentos, fotos, esculturas, e artesanato. Nos fundos da galeria, junto a um jardim há um café. Lá eles servem cappuccinos, sorvetes e crepes deliciosos para depois da caminhada.

Quando você caminha pelo centro de Igatu tem a impressão de que a cidade parou no tempo. É gostoso conversar com as pessoas e ouvir as histórias do lugar. Ainda há garimpeiros. Um deles nos ofereceu diamantes guardados tradicionalmente no picuá ? um objeto feito com a raiz de uma planta chamada Guaimbê, com tampa de madeira ? usado para guardar os diamantes.

Museu vivo do garimpo

wCemitério Bizantino de Mucugê ? O cemitério Santa Izabel em Mucugê, há cerca de 143 quilômetros de Lençóis, conhecido como Cemitério Bizantino foi cenário do filme "Abril Despedaçado" do cineasta Walter Salles. Construção curiosa do começo do século 19, possui jazigos representando miniaturas de igrejas de formas pontiagudas, branquinhas. Fica ao pé de um paredão de um grande morro, na beira da BR 142. A sequência de lápides surpreende e remonta a época em que surtos de cólera e varíola atingiram o lugar. Com a necessidade de enterrar os mortos distante da cidade e não nas igrejas, o local foi escolhido ? no alto mais próximo do céu e de Deus e de onde aqueles que se foram pudessem olhar pela cidade. O estilo bizantino, afirmam que foi influencia dos compradores de diamantes de origem turca que viviam em Mucugê. É o único cemitério da cidade e ainda está ativo. É mais um testemunho da história da Chapada Diamantina. À noite, o cemitério ganha iluminação especial, e as lápides ganham tons de azul.

Mucugê e os casarões

Mucugê fica em meio a uma paisagem privilegiada. Conserva um conjunto de casarões coloniais e serve como base para excursões aos arredores. A cidadezinha é linda e guarda a riqueza histórica do sertão.

wCachoeira do Buracão ? fica no município de Ibicoara, no Parque Municipal do Espalhado. Parte do percurso é feito de carro, por estrada de terra belíssima, que serpenteia enormes montanhas e vales em meio ao clima bucólico das fazendas na serra. Em um dos morros fica um lajedo conhecido como "a mão de Deus", lugar que já foi capa de revista. A paisagem é fantástica!!! No Parque é preciso encarar cerca de uma hora de caminhada as margens do Rio Espalhado, de águas vermelhas que correm sobre pedras e em alguns pontos chega a atingir mais de 50 metros de largura.

A trilha hora beira o rio, hora segue em busca da vegetação exuberante, que mistura cactáceas da caatinga com exemplares da flora do cerrado como as bromélias, orquídeas, sempre-vivas, arquitetônicas. Descendo a trilha o rio se estreita por um cânion. No percurso há várias quedas d´água. A primeira é a cachoeira do Buraquinho. E nela já se pode notar que com toda a agitação da água, carregada de material orgânico em decomposição, ocorre a formação de uma espuma que forma desenhos na superfície e que é carregada pelo vento.

As cachoeiras

Outra cachoeira é a das Orquídeas, como o próprio nome diz rodeada por um grande bosque da espécie. E como na Chapada não faltam surpresas, seguindo o caminho tranquilo você vai chegar a cachoeira Recanto Verde. Mais um capricho da natureza, que me pareceu obra do pintor Salvador Dali. Em trecho que o caminho se estreita junto a paredões você se depara com a cachoeira de cerca de 85 metros de altura que brota do meio do paredão. Uma visão surrealista, originada pela água do rio Espalhado que divide-se em dois na cachoeira das Orquídeas, um segue para formar a cachoeira do Buracão, e o outro se infiltra entre as pedras e reaparece na cachoeira Recanto Verde.

O lugar é uma grota e devido a umidade é coberto de musgos. A queda d´água mantem o espaço com uma garoa fina constante que se aloja em gotículas sobre o musgo e brilham como diamantes com os raios de sol que incidem sobre elas. Um dos lugares mais incríveis que já vimos. Para completar, centenas de borboletas pretas e vermelhas. Como um sonho, dos melhores é claro!

Daí para à cachoeira do Buracão com cerca de 80 metros de queda livre não falta quase nada. Entre um paredão e o rio formado pela cachoeira Recanto Verde você segue e sabe chegou ao seu destino. Você não vê a cachoeira do Buracão, mas tem certeza de que ela está ali. O som é forte e quanto mais perto se chega é mais furioso, ainda maior. O cheiro no ar é inconfundível. Um mistura de terra molhada, folhas, pedras, sol. Tudo bem que você vai dizer que pedra não tem cheiro..., mas sabe do que estou falando. A temperatura fica mais fresca.

A cachoeira esconde-se no final de um cânion com paredes altas, pedras afiadas e água com bastante correnteza. Um lugar que exige respeito e coragem. Com o nível da água alto o único modo de chegar a cachoeira por baixo foi pela água. Munido de coragem, muita curiosidade, o apoio do guia e colete salva-vidas meu marido nadou contra a correnteza e conheceu o poço de queda d´água. Diante das circunstâncias preferi ficar onde estava e fotografar o que foi possível, assim diante de alguma necessidade o guia teria menos trabalho.

Outra visão que se pode ter da cachoeira do Buracão é por cima, e que também não deixa de ser uma aventura. Até certo ponto você vai andando, depois é preciso deitar de bruços e ir chegando devagarzinho para apreciar o impressionante volume de água que jorra à nossa frente.

Limpanda a alma

O vento é muito forte, os respingos formam um arco-íris particular que sinaliza que ali é um lugar especial, e o barulho quase ensurdecedor faz com que a gente escute a própria respiração. Que sensação... No caminho de volta, ao final da caminhada, a água do Rio Espalhado lava o corpo, limpa a alma e renova o espírito.

wCachoeira da Fumaça ? fica no Vale do Capão e é a segunda maior cachoeira do Brasil com 420 metros de altitude. A paisagem é exuberante. As águas escorrem por uma estreita abertura e se dissipam antes mesmo de tocar o solo. Em período de seca a cachoeira pode ficar sem água ou ainda, com pouco fluxo de água, o que pode proporcionar imagens inusitadas que lembram um véu com a água que sobe e desaparece.

Saímos da Chapada Diamantina com a sensação de que deveríamos ter ficado mais tempo lá. Ainda havia muita coisa para conhecer. A Chapada tem gosto de quero mais!!! Quem conhece quer voltar, quem não foi deve ir. Nós vamos voltar lá, para repetir algumas coisas e experimentar outras que não tivemos tempo para conhecer.

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