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Polícias seguem tateando soluções

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar da inexistência de dados oficiais, observa o major Fábio Jun Kitazume, comandante operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), em Bauru, o crack realmente altera o perfil da criminalidade.


De acordo com o oficial, a falta de noção de perigo e grande necessidade de sustentar o vício potencializa a periculosidade de assaltantes ou ladrões “pula muro”.


“É um problema de certa forma recente, de uns cinco anos para cá”, estima. “O ‘nóia’ enxerga a realidade de forma diferente de uma pessoa em seu estado normal”, diferencia o major.


Para ele, não existe apenas uma área em potencial onde os criminosos movidos pelo vício agiriam na cidade. Toda a área urbana, considera, estaria vulnerável a ação dos marginais, que atacam sem pensar muito nas consequências.


Contudo, observa o oficial, terrenos cortados por ferrovias seriam os prediletos, por propiciarem fáceis esconderijos, devido ao estado de abandono.


Crimes, de certa forma, “bizarros”, julga o oficial, ocorrem com maior frequência. “Veja o caso do jovem que ateou fogo na casa com os pais dentro nesta semana, é um exemplo”, cita, acentuando que o acusado é viciado em crack.


Para minimizar o problema, além de tratamento aos dependentes, o major considera o combate ao micro e macro tráfico. Contudo, admite, a questão do crack, de tão complexa, ainda não tem uma “receita” para ser solucionada. “Ainda buscamos como gerenciar, achar saídas. Não é um problema apenas de crime”, considera.




Legislação agrava


Já o delegado Benedito Antônio Valencise, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo do Interior (Deinter) – 4, em Bauru, concorda com o major da PM sobre os caráteres tanto criminal quanto social do problema. Além disso, salienta o policial, a própria legislação, com tendência a “aliviar” para o pequeno traficante, também agrava a situação. Ele também concorda com a maior periculosidade, assim como “esquisitices” dos delitos envolvendo dependentes desse tipo de droga. “O grau de ousadia e violência de criminosos movidos pelo vício no crack é maior”, atesta. “O risco é muito maior”, acentua. “São furtos e roubos diferentes e, algumas vezes, estranhos, ocasiões em que o bandido atira no próprio pé ou entala no forro de uma casa”, ilustra.



 

‘Zumbis’ mudam o cotidiano de moradores e geram tensão diária


A arrumadeira M., de 42 anos, moradora do núcleo habitacional José Regino também é uma das vítimas desse novo cenário da violência.


Embora aliviada por ainda não ter sido abordada por nenhum criminoso, ela reclama da tensão diária a que é submetida, seja na ida ou vinda do trabalho.


Com medo de ser assaltada, ela diz ter vizinhos e amigos que não tiveram a mesma sorte, M. chegou a mudar o horário de entrada no emprego, um hotel da região central de Bauru.


Ela deixou de tomar o ônibus no ponto final da linha entre o centro e a Vila Tecnológica por volta das 6h para embarcar cerca de uma hora mais tarde. Antes do amanhecer, o ponto de parada dos coletivos não é restrito ao  subir ou descer de passageiros, mas sim de comércio e consumo de drogas.


“Aqui perto também tem uma casa conhecida por ser ponto de venda de droga”, denuncia. “A gente nem chama a polícia porque eles (traficantes e usuários) conhecem a gente e acaba ficando perigoso”, justifica.


Segundo M., há pouco tempo, uma amiga foi abordada por um assaltante ainda dentro do carro, quando o marido desta a deixava para aguardar a chegada do coletivo.


“O mato alto da pracinha próxima ao ponto de ônibus deixa a gente ainda mais assustada”, relata ela, que, assim como os demais personagens desta reportagem, tem medo de expor sua identidade.


“Eles (drogados) ficam sentados no ponto no lugar dos passageiros”, narra a moradora. “Ficam lá durante toda a noite. É muito perigoso tomar o ônibus muito cedo, por isso consegui mudar meu horário no serviço”, reforça.

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