Polícia

Furtos crescem 60% e preocupam

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

O número de furtos em Bauru cresceu 6

% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2

11, e desponta como o tipo de crime que mais avança na cidade. Somente nos primeiros 31 dias do ano, foram registradas 676 ocorrências desta natureza, uma média de quase 22 casos por dia, segundo dados divulgados ontem pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. No primeiro mês do ano passado, foram 425 furtos, o equivalente a uma média diária de 14 registros.

 

As estatísticas são reflexo de uma nova realidade que foi amplamente debatida em uma reportagem especial de três páginas veiculada pelo JC no último domingo, além de ser pontuada diariamente nas matérias policiais. O crack mudou o perfil dos criminosos, que passaram a furtar objetos de pequeno valor, geralmente sem nenhum planejamento estratégico ou critério para selecionar suas vítimas e concretizar o ataque.

 

São características que marcam o desespero para sustentar o vício e que fizeram o volume de furtos explodir no último ano. Em Bauru, outros índices que cresceram de maneira mais significativa foram os de lesão corporal dolosa (26%) e lesão corporal culposa em acidente de trânsito (27%). Já a quantidade de roubos, roubos de veículo e furtos de veículo se manteve estável e caíram os casos de homicídio (de 4 para 1), estupro (de 15 para 8) e tráfico de entorpecentes (de 3

para 25).

 

Em relação ao crescente número de furtos, o comandante operacional do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI), major Flávio Jun Kitazume, avalia que o fenômeno é consequência, entre outros motivos, do “trabalho formiga” realizado pelo dependente de crack, que rouba objetos de pequeno valor, mas com maior frequência. “Por conta de todas estas características, acreditamos que a estatística esteja vinculada ao crack, uma droga altamente viciante e que ganhou um número elevado de usuários nos últimos anos”, pontua.

 

 

 

Problema amplo

 

Entretanto, ele cita ainda como causas para o avanço deste tipo de crime o abrandamento do Código de Processo Penal que, em meados do ano passado, passou a permitir a aplicação de sanções alternativas em substituição à prisão preventiva quando o crime prevê pena inferior a quatro anos de reclusão. “É o caso do furto simples. Se o acusado for réu primário, ele presta depoimento na delegacia e é liberado (para responder a inquérito em liberdade), com o risco de voltar para as ruas para cometer novos crimes”, pondera.

 

Outro motivo apontado por Kitazume é a possibilidade de as vítimas registrarem boletim de ocorrência de furto por meio da internet, sistema disponibilizado também em meados no ano passado. “O fato de não precisar ir até a delegacia incentiva as pessoas a registrar a ocorrência, por menor valor que o bem perdido tenha”, analisa.

 

O major destaca que a expansão do número de furtos tem preocupado a Polícia Militar (PM) de Bauru, que tem concentrado suas forças nas áreas de maior incidência de crimes. “O problema é que, assim que passamos a atuar em um determinado local, os criminosos migram e as ocorrências começam a ser registradas em outra região”, observa.

 

Ele ressalta, no entanto, que a criminalidade associada ao vício não deve ser tratada apenas como um problema de polícia, mas também de saúde, social e econômico. “Um usuário não deve preocupar a sociedade apenas porque comete crimes, mas também porque está doente e deixou de produzir, muitas vezes deixando toda uma família desamparada. A polícia só tem capacidade para combater o efeito do uso do crack. O meio e a causa precisam ser debatidos e solucionados por todas as demais forças vivas da cidade”, conclui.

 

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