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Problema que vem de baixo

Luiz Gonzaga Bertelli
| Tempo de leitura: 2 min

A cada pesquisa realizada para avaliar o desempenho de alunos, mais e mais dados negativos são revelados, o que ilustra a situação deteriorada da qualidade de ensino das escolas brasileiras. O último levantamento divulgado na semana passada trata-se do resultado apresentado pela Prova ABC ? Avaliação Brasileira do final do ciclo de alfabetização, ? promovida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o movimento Todos pela Educação. Foram avaliadas crianças do 3.º ano do ensino fundamental, série em que os estudantes deveriam saber fazer contas básicas de soma e subtração, para, pelo menos, calcular o troco numa compra no supermercado. Porém, o resultado mostrou que 57,2% das crianças avaliadas não conseguiram resolver os problemas que envolviam esses cálculos elementares. Com os dados acima, pode-se tirar uma lição importante: os baixos resultados que os alunos apresentam em avaliações internacionais em matemática têm origem nos primeiros anos de sua formação.

Este resultado é preocupante, no instante em que o Brasil possui uma defasagem grande de profissionais para assumir cargos que envolvam o ensino de exatas, como a engenharia e tecnologia da informação, carreiras que levam em sua base a matemática e crescem de acordo com o desenvolvimento econômico.

A solução que muitas empresas estão tomando, impacientes com a falta de resultados do ensino, é a busca de mão de obra capacitada no exterior, com profissionais que possuam uma formação mais sólida e adequada para os cargos a serem preenchidos. Oportunidades que poderiam estar nas mãos de brasileiros, se a qualidade de ensino fosse uma preocupação do poder público. Isso, por si só, poderia trazer reflexo para os níveis de emprego bem como elevar o padrão de vida de muitas famílias.

O atual modelo educacional trouxe avanços considerados importantes nas últimas décadas, como a universalização, que colocou praticamente todas as crianças nas escolas. Mas agora é preciso mais. É necessário melhorar a educação como um todo. E isso passa pela estrutura das escolas, com materiais pedagógicos atualizados, uso de computadores e professores bem formados e remunerados. Como dizia Emmanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Por isso, é necessário reforçar a luta por uma educação qualificada para que população possa prosperar cada vez mais.


O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp


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