Bairros

Maternidade ?se vira? para ter plantão

Vitor Oshiro com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A três meses de a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) assumir a Maternidade Santa Isabel, a situação da unidade hospitalar bauruense parece estar cada vez pior. O assunto voltou à tona ontem com a reclamação dos próprios funcionários da dificuldade em montar as escalas aos finais de semana, principalmente no setor da pediatria.

 

O JC ouviu um dos pediatras da instituição que relatou o problema. “Estamos nos virando como dá”, disse o funcionário, que não quis ter seu nome divulgado. Segundo ele, a motivação vem justamente do sentimento de indefinição dos funcionários, uma vez que, a pouco tempo da mudança de administração, eles se sentem sem futuro garantido. O destino mais provável é de que haja um concurso para recontratar toda a equipe (leia mais abaixo).

 

“Ainda não ocorreu de o plantão ficar sem ninguém, porque vamos um cobrindo o outro. Mas, a tendência é piorar e isso, em breve, vai ocorrer”, prevê. De acordo com ele, um pediatra já parou de trabalhar na entidade e outros estão reduzindo a carga horária para atender em outros locais.

 

Na instituição, os profissionais são contratados apenas pelo regime de prestação de serviço, desse modo, nada os “prende” ao local. 

 

O problema ainda seria agravado por um efeito “bola de neve” que a falta de profissionais acarreta. O pediatra conta que, caso troque o turno e não haja outro médico para assumir o plantão, o profissional anterior não pode abandonar o atendimento ao findar seu horário. 

 

“Se um médico ficar sabendo que não haverá ninguém para assumir o outro plantão, ele não vai. E o antecessor pensa o mesmo. É uma espécie de bola de neve”, conta.

 

Além da questão dos médicos, há ainda os problemas com outros funcionários. “Já teve dias de a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ter somente um funcionário trabalhando”.

 

 

 

Resposta

 

O diretor clínico da Maternidade Santa Isabel, Rodolfo Celeste, afirmou que a situação não se agravou por conta da fase de transição. Entretanto, não negou as dificuldades na formação das escalas dos pediatras. “Temos certas dificuldades para formar o plantão, mas sempre foi assim. Pediatra é difícil de achar em todo lugar. Na nossa equipe, alguns acabam se esforçando mais para fazer a cobertura”, aponta.

 

A presidente do conselho de intervenção dos hospitais de Base e Maternidade Santa Isabel, Telma de Freitas, também disse desconhecer qualquer anormalidade. Porém, também ressaltou que este é um problema já vivido há algum tempo. “Achar pediatra é difícil mesmo. Em vários lugares é assim. Ninguém relatou nada de anormal”, completa.

 

Conforme os gestores apontaram, o problema realmente não é algo novo. Em maio do ano passado, a falta de pediatras para montar as escalas dos plantões quase parou o atendimento. Na ocasião, conforme o JC noticiou, a novela sobre a mudança de gestão já era apontada como um dos motivos.

 

 

 

Concurso?

 

Apesar de a realização de um concurso para recontratar 1

% o corpo de funcionários da Maternidade Santa Isabel ser praticamente a única saída, tanto a Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) quanto o governo do Estado afirmam que a questão não está completamente resolvida.

 

O presidente da Famesp, Pasqual Barreti, afirma que o edital do concurso está pronto, porém, ainda são estudadas alternativas para a seleção. “Acho improvável qualquer contratação diferente. Pelo que tudo indica vai ser concurso mesmo”, conta.

 

Há 15 dias, foi realizada uma reunião para discutir o fato, entretanto, o ponto não ficou definido. Em nota enviada pela assessoria de comunicação, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o governo ainda está estudando a forma de contratação.

 

 

 

A novela

 

A crise instalada na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que administra a Maternidade Santa Isabel e o Hospital de Base (HB), eclodiu quando a Operação Odontoma - ação do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e Polícia Federal (PF) - foi deflagrada para apurar a existência de um esquema de desvio de recursos públicos, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços na associação.

 

Com uma dívida acumulada de R$ 143 milhões e toda diretoria afastada, a entidade sofreu intervenção e se viu obrigada a reduzir o volume de atendimentos e até mesmo interromper, em algumas ocasiões, cirurgias agendadas por falta de materiais hospitalares básicos ou exames pela quebra de equipamentos.

 

No Hospital de Base, desde o início da crise até agora, os procedimentos foram reduzidos a menos da metade.

 

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