Bairros

Altos da Cidade: uma região de contrastes

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Passear pelas ruas dos Altos da Cidade com calma e disposição para prestar atenção aos detalhes que formam o cenário do bairro pode trazer gratas surpresas. Isso porque embora seja uma região famosa em Bauru, os Altos escondem, na interessante capacidade de conciliar o antigo e o moderno muitas (e boas) histórias.

 

Quem passa de carro pelas artérias que fazem parte de sua malha viária, como as ruas Rio Branco, Treze de Maio, Floriano Peixoto, Machado de Assis, entre outras, dificilmente nota a doce e contrastante combinação entre casas de fachadas quadradas e portão baixo, construídas na década de 3

, com suntuosos e modernos prédios residenciais e estabelecimentos comerciais.

 

E os Altos são, definitivamente, uma região de contrastes. Quem não os enxerga, desconhece o melhor que essa região tem a oferecer.

 

Composto por 12 bairros (veja quais são no mapa das páginas 2 e 3) e localizado exatamente no quadrilátero formado pela avenida Duque de Caxias com as ruas Rio Branco, Sorocabana e Júlio Maringoni, estendida pela José Salmén, o Altos começou a se formar na década de 3

, quando ferroviários e funcionários públicos, aos poucos, ocuparam a região.

 

Outros fatores que contribuíram para a expansão dos Altos foram o incentivo dado pelo Banco Lar Brasileiro para a construção de casas na região; a inauguração do prédio da Prefeitura Municipal, em 1964, entre a rua Rio Branco e a avenida Aviador Gomes Ribeiro; a instalação do prédio provisório da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) nas imediações da avenida Otávio Pinheiro Brisolla, e a fábrica da Coca-Cola, próxima de onde atualmente é a Praça Portugal, além da consolidação da extinta sede social do Bauru Atlético Clube.

 

“O bairro foi ocupado aos poucos, por pessoas de classe média”, observa o pesquisador Irineu de Azevedo Bastos.

 

Essa ocupação ainda tem sua marca registrada nos Altos. Casas de fachadas quadradas, cheias de detalhes, e portões baixos ainda figuram pelas ruas daquela região. Outra característica marcante é a grande quantidade de árvores, que amenizam o intenso fluxo de veículos e conferem certo clima de nostalgia a quem caminha pelo local.

 

 

 

Transformação

 

Com o tempo, a boa localização dos Altos - bem ao centro de Bauru, próximo do Centro e da Zona Sul da cidade, que está em franca expansão -, despertou o interesse de comerciantes e investidores, que tomaram a região levando até ela padarias, consultórios, supermercados, lojas de roupas e outros comércios dos mais variados tipos.

 

Atualmente, são os prédios residenciais que buscam seu espaço nos altos. Como terrenos vagos são inexistentes na região, são charmosas casas da década de 3

as escolhidas para dar lugar aos arranha-céus.

 

“Já demoliram um monte por aqui. A região está supervalorizada e com o falecimento dos proprietários, os herdeiros vendem as casas para empresários interessados na construção de prédios. Com isso, pouco a pouco, a história dos Altos se perde”, lamenta uma mulher que trabalha como empregada em uma casa na rua 13 de Maio mas não quis ser identificada.

 

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