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Ah, o amor!

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Dia desses, ao descer em determinado posto de gasolina para utilizar o toalete, presenciei uma cena muito triste: um indivíduo dirigia palavras de baixo calão a alguém que ele considerava homossexual. Fiquei prestando atenção em seu linguajar e qual foi a minha surpresa ao desvendar que o suposto homossexual era eu. Tudo porque estava trajando uma camisa cor de rosa. Rapidamente, e sem olhá-lo, fingindo que não entendia os insultos, sai dali, pois não estava nem um pouco a fim de apanhar. Entretanto, de volta ao ônibus não pude deixar de refletir: modelo mental obsoleto o desse sujeito ao me julgar por uma camisa cor de rosa. Aliás, pior que isso foi sua atitude agressiva, de não aceitar o diferente, ou seja, um homem que veste cor de rosa.

Alguns dias depois, ou melhor dizendo, sábado, dia 03/03, ao abrir o Jornal da Cidade, li a notícia de que um casal homossexual adotou uma criança em Recife. Fertilização in vitro, a prima de um deles tratou de gerar a criança. Inevitavelmente meu pensamento viajou para aquela cena ocorrida dias atrás. Lembrei-me do cidadão alterado me dirigindo impropérios. Refleti: nesse mundo tão complicado, nessa terra tão difícil, ainda presenciamos gente querendo fazer guerra. Se está difícil viver em paz, imagine em guerra? Mas eis que nem tudo está perdido. Há também muita gente produzindo amor... O amor não tem sexo, cor, idade, classe social... O amor não tem religião, preferência política, nacionalidade... Imagino a alegria que deve estar sentindo esse casal, certamente algo indizível e impossível de descrever na pobreza de nossa linguagem. O que impede duas criaturas de se amarem? O que pode obstruir o caminho de duas almas que se amam? Só mesmo uma mente adoecida pelo preconceito pode delimitar o amor a condição morfológica. São as almas que se amam, são os seres humanos que se querem bem.

Qual o mal tem oferecer ao outro ternura afeição, carinho? Aliás, qual o mal em vestir-se com camisa cor de rosa? Necessário repensar nossas atitudes e posturas, ou, ao contrário, em vez de rosa teremos a pele roxa; roxa de raiva por não conseguir aceitar quem pensa, age ou se veste diferente. Por isso, louvemos o amor. Ah, o amor! O amor é o presente que Deus legou aos Homens para iluminar os dias de escuridão na Terra. Pensemos nisso!


O autor, Wellington Balbo, é colaborador de Opinião

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