Quem é que nunca entrou em um site de compras coletivas e se sentiu atraído pelas inúmeras e variadas ofertas tentadoras? Com o crescimento de novos sites como estes e também dos consumidores, as queixas sobre o serviço aumentaram para uma a cada dois dias, quando anteriormente somavam menos da metade disso, segundo dados do Procon de Bauru.
Os sites de compra coletiva acabaram virando ‘febre’. Os descontos nos produtos são de até 7
% do valor original e a variedade de itens e serviços é grande. Para pagar, basta ter cartão de débito ou crédito, o que também facilita na hora da compra. No entanto, não são todas as empresas que cumprem com as regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
“Nós não sabemos porquê aumentou, se é por conta do crescimento do número de sites ou dos consumidores. O que acontece é que, há seis meses, a quantidade de reclamações de sites desse tipo era de menos da metade do que hoje, quando recebemos uma a cada dois dias”, explica Fernanda de Assis Martins Pegoraro, coordenadora do Procon Bauru.
Um dos exemplos de reclamações mais registradas no órgão de defesa do consumidor são compras de promoções em hotéis. “O que as pessoas não sabem é que os sites são apenas intermediadores das empresas. Neste caso específico do hotel, que oferecia uma promoção com 5
% de desconto, o estabelecimento nem sabia que o desconto estava sendo oferecido pelo site”, exemplifica.
Estética
Os tratamentos estéticos também estão entre os primeiros do ranking de reclamações do Procon de Bauru. Segundo Fernanda, algumas pessoas já compraram sessões de massagem que deveriam durar uma hora e duraram 2
minutos.
A publicitária Flávia Soares Moraes, 3
anos, também passou por situação parecida. Ex-consumidora compulsiva nestes sites, ela já adquiriu massagem oferecida por uma clínica estética boa, mas o espaço destinado para as massagens não era tão bom quanto parecia. “Eu comprei a massagem e quando cheguei lá a clínica era boa, mas a sala e o serviço eram muito ruins”, contou.
Há pouco mais de um ano, ela descobriu os sites de compra coletiva por indicação de uma amiga e começou a comprar quase tudo o que ofereciam por lá. “Eu comprava comida, massagens, manicure, roupas. Tinha cadastro em mais de 2
sites. Comprava tanto que até vencia o cupom de troca da compra e eu acabava perdendo”, conta.
O cartão de crédito de Flávia começou a ficar ‘lotado’. As compras também eram feitas para as amigas. Flávia comprou até cupom de uma loja que não encontrou nada que lhe interessasse, então presenteou a mãe. “Já comprei manicure e não gostei. Cheguei em casa e tirei todo o esmalte. Já comprei cupom que não tinha nada que me interessasse na loja e acabei comprando para a minha mãe. Comprava tanto que pedia até para o meu marido comprar para mim no cartão de crédito dele”.
Flávia já comprou até sorvete por R$
,
1. Para se livrar do ‘vício’, foi preciso uma bronca do marido e persistência. “Apaguei todos os sites dos meus favoritos. Parei de comprar também por conta do cartão de crédito, que estava quase no limite. Minha fatura sempre tinha mais de dez itens de sites de compra coletiva.”
Credibilidade
Para o sócio-proprietário do site de compras coletivas “Putz Que Barato”, André Duarte, o segredo do sucesso desta modalidade é a credibilidade. “Nós trabalhamos apenas com empresas bauruenses que conhecemos. Recentemente recebemos proposta de anúncio de uma empresa do Paraná, mas não aceitamos porque, além de ser muito distante, não tínhamos contato dos proprietários. Então tomamos este cuidado”, salientou.
Ele revela que a tática de compra coletiva nada mais é do que um anúncio mais barato para as empresas. “Ela coloca um produto ou serviço em promoção para que o cliente conheça. Já aconteceu uma vez do anunciante subir o valor do anúncio sem nós sabermos, e logo retiramos do site. Tirando isso, nunca tivemos problemas. Mesmo tendo até stand up cancelado, não houve divergência com o cliente. Devolvemos o dinheiro sem problemas”, contou André.
O sócio-proprietário do site ainda frisa que muitas vezes o comprador erra ao efetuar a compra. “É importante que as pessoas fiquem atentas. Certa vez teve um cliente que pagou duas vezes a mesma compra. Ele entrou em contato conosco e logo efetuamos o estorno. Também estamos sempre atentos”.
Não seja enganado
O serviço não era o que você pensava? O produto que você comprou não estava disponível? Registre sua queixa junto ao Procon. De acordo com Fernanda de Assis Martins Pegoraro, coordenadora do Procon de Bauru, quando o cliente registra esta reclamação, a empresa e o site são notificados.
“Os dois são notificados porque a empresa é responsável pelo serviço ou produto e o site de compra coletiva por ser um intermediador. Eles têm dez dias para apresentar acordo, solução ou justificativa. Depois passa por análise e, se necessário, é encaminhado ao juizado especializado”.
A Associação Brasileira das Empresas de Compras Coletivas (Abecc), existente desde 27 de setembro do ano passado, pontua que é importante que estas empresas tenham cadastro junto à entidade.
Para ajudar os clientes a não serem prejudicados por falsas promoções ou problemas com sites, a Abecc disponibiliza, gratuitamente, uma cartilha de orientação através do site www.abecc.inf.br. Notar se o site de compra coletiva possui contatos fáceis e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) são boas dicas para começar (veja quadro acima).