Tribuna do Leitor

LER É O MELHOR REMÉDIO


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O analfabetismo é doença no Brasil. Horrível. Poderia até ser chamada: "Moléstia da ignorância". O IBGE, especialistas na Educação e outros analistas vivem declarando índices do analfabetismo e sempre contraditórios. Quem os desconhece, por razões obvias, é o próprio analfabeto. Diversas fontes declaram o Brasil com mais de 16 milhões de analfabetos e mais de 34 milhões de "analfabetos funcionais"; aqueles que sabem ler, mas incapazes de interpretar o que lêem. Somando 50 milhões de brasileiros a representar 25% de uma população de quase 200 milhões de pessoas. O absurdo ultrapassando limites da estupidez humana em pleno século 21! Propostas são feitas para minimizar a enfermidade.

Por interesses políticos, vão para o fundo das gavetas como outras que favoreceriam a população. A resposta para esse mal tem a receita para a sua cura. Ler é o melhor remédio. Porém, o medicamento deve ser aplicado a partir do ensino fundamental com assistência dos pais, irmãos, padrinhos, etc. O que não acontece. Falamos convictos, como palestrante voluntário que somos para alunos do ensino fundamental e médio em escolas particulares, municipais e estaduais, focalizando o incentivo à leitura. Descobrimos, em cada palestra, como alunos e professores se interessam pelo tema, mas estão sem a bula para a melhor aplicação e efeito do remédio. Os professores, por falta de incentivo. Apesar dos seus salários miseráveis e da falta de recursos materiais, se empenham transformando-se em mártires do ensino, precisando, às vezes, mais de um emprego para sobreviver dignamente. Mestres e alunos são vítimas do sistema e da politicagem. As merendas disfarçam a fome. O ensino não encontra eco. Principalmente quando, imaginem, é proibido reprovar alunos. Mesmo não sabendo ler é obrigatório o escolar passar de ano. Nas palestras no ensino médio já nos defrontamos com aluno que sequer sabem o quer dizer "seu futuro" ou a palavra "expectativa".

É preciso que os pais de alunos também se conscientizem. São eles os ídolos e professores primeiros dos seus filhos. Dar-lhes o exemplo lendo, em casa, jornais, revistas e obras, e incentivá-los à leitura dando-lhes livros próprios para cada idade. Afirmar-lhes que somente quem sabe ler cresce na vida. Só assim entenderão que ler é o melhor remédio para um futuro assegurado.


Munir Zalaf - Academia Bauruense de Letras

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