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Pena de morte não existe?

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min


Discursos oníricos em nome da falsa democracia, apregoam ser indispensável oferecer nova chance aos criminosos, reeducar os delinquentes e ter compaixão dos assassinos. Isto posto, torna-se notório o divisor de águas sobre a pena de morte por parte dos doutores no assunto. Enquanto o Estado dispende fortunas em projetos sociais para a utópica reintegração de facínoras na sociedade, centenas de crianças morrem de inanição e o cidadão brasileiro cumpridor de seus deveres passa frio, fome e sede. E no valsar do tempo, discute-se a proibição da pena de morte com o aval de credos que alegam tratar-se de pecado mortal, pois somente a mão de Deus pode ceifar vidas.

Porém, a realidade dos fatos registra a existência escancarada da pena de morte praticada diariamente sem dó nem piedade. Famílias destruídas, crianças esganadas, jovens abatidos brutalmente, enfermos abandonados pelos corredores dos hospitais sem assistência, motoristas sanguinários sem punição, mães que abandonam recém-nascidos no lixo, a prática vergonhosa de abortos a decepar vergonhosamente o direito de viver. Portanto, a pena de morte existe e se mostra deveras utilizada, enquanto a justiça com os olhos vendados se deixa guiar pelas mãos de leis paternalistas a estimular a carnificina humana por entre as dobras da vergonhosa impunidade. Confusa, a população vive em pleno luto social, assistindo o macabro cirandar da hipocrisia e o constante tergiversar sobre direitos humanos.

Perdoar assassinos, menores atrevidos e reincidentes, permitir a banalização do crime e marcar com ferro em brasa a alma e o coração de milhares de pessoas que carregam a dor da tristeza e o peso da saudade de entes queridos, certamente não é o comportamento aprovado por Deus. Diuturnamente podemos sentir o bafo quente da pena de morte, percorrendo praças, alinhavando ruas, invadindo casas, espreitando parques, frequentando restaurantes, entremeando o trânsito, invadindo escolas. Porém, os guardiões do pecado da omissão preferem não enxergar a tenebrosa realidade que acampa a sociedade. Enquanto isso, inocentes recebem a pena de morte, não pelas mãos de Deus, mas pela justiça dos fora da lei.

Ao mesmo tempo que incautos discutem o direito de viver dos condenados, o pecado mortal e o arder no fogo do inferno, os puros e mansos de coração são sepultados, famílias pranteiam seus mortos e a insegurança acampa a nação. O direito de viver dos humanos deveria a todos agasalhar, não apenas os infratores. Imperativo avaliar a penalidade para praticantes de crimes hediondos que transformam cidadãos do bem em míseros reféns do medo! Pena de morte não existe?


A autora, Valderez de Mello, é poeta, escritora, advogada, pedagoga e psicopedagoga, autora dos livros Lágrimas Brasileiras e Trama e Urdidura

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