Após novo acidente registrado ontem no cruzamento entre a alameda Octávio Pinheiro Brisolla e a rua Antonio Garcia, na Vila Universitária, moradores do entorno voltaram a reivindicar semáforo para disciplinar o trânsito no local. De acordo com vizinhos e comerciantes, o número de ocorrências é elevado e o risco aos motoristas, iminente.
No acidente de ontem, por sorte, não houve feridos graves. Segundo informações de testemunhas, por volta das 11h, uma mulher seguia com seu Fiat Marea pela alameda Octávio Pinheiro Brisolla, sentido bairro-Centro, quando tentou fazer uma conversão à esquerda para acessar a rua Antonio Garcia.
Neste momento, interceptou a motocicleta CG Titan que seguia também pela Octávio Pinheiro Brisolla, em sentido oposto. Com o impacto, o motociclista e o passageiro - que seriam, respectivamente, pai e filho - foram lançados sobre o Marea e, depois, caíram no asfalto.
O garupa não teve ferimentos, mas o condutor, identificado apenas como Peter, chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Pronto-Socorro Central, onde recebeu atendimento médico e foi liberado. Os nomes completos das vítimas e da mulher que dirigia o Marea não foram divulgados.
De acordo com o empresário Rodrigo Rodrigues Pena, 26 anos, que possui um restaurante próximo, os acidentes naquele cruzamento são constantes. Devido ao perigo a que os motoristas estão expostos, ele conta que já entregou à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), há cerca de quatro anos, um abaixo-assinado com mais de 2 mil nomes para reivindicar um semáforo para o local.
“Mas, até hoje, nada foi feito. Colocaram um semáforo uma quadra acima e ficou ótimo. Precisam fazer o mesmo neste cruzamento, porque todo dia a gente escuta carro cantando pneu por causa de freadas bruscas”, aponta ele, que calcula uma média de uma a dois acidentes por mês somente naquele ponto.
Perigo e contradição
O cruzamento, na verdade, é uma confluência entre três ruas, já que a alameda Octávio Pinheiro Brisolla e a rua Antonio Garcia também se encontram com rua Maria José. Com isso, quem trafega pela Antonio Garcia pode enfrentar dificuldade para transpor as outras duas ruas, principalmente em horário de pico.
“No horário de almoço e por volta das 18h, quando as pessoas começam a sair do trabalho, é um perigo. Quem passa por ali tem que tomar o maior cuidado”, reclama um morador da Vila Universitária, que preferiu não se identificar.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Emdurb informou que foi feita medição de fluxo de veículos no local e que a contagem não correspondia ao número mínimo exigido pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Ainda de acordo com a autarquia, por conta do critério, qualquer semáforo implantado naquele cruzamento seria irregular.
O JC acionou o Denatran, que destacou não ser esta a regra prevista no Código de Trânsito Brasileiro. Conforme o primeiro parágrafo do artigo 9
, “o órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via é responsável pela implantação da sinalização, respondendo pela sua falta, insuficiência ou incorreta colocação”. Por meio de nota, o departamento ressaltou ainda que “o número mínimo de veículos em circulação na via não é exigência do Denatran”.
Desrespeito
Enquanto moradores cobram semáforo no cruzamento da alameda Octávio Pinheiro Brisolla com a rua Antonio Garcia, outros desrespeitam a sinalização a duas quadras de distância dali. Uma moradora da Vila Universitária conta que este outro ponto da alameda, na altura da rua Joaquim da Silva Martha, também é fonte frequente de problemas.
No local, há semáforo na Octávio Pinheiro Brisolla e proibição de conversão para a Joaquim da Silva Martha. A sinalização, entretanto, é constantemente desrespeitada.
“Os motoristas param no semáforo da Octávio Pinheiro Brisolla e, algumas vezes, chegam a dar seta para entrar direto na Joaquim da Silva Martha, quando o correto seria seguir para a alça de acesso, à direita. Passo por ali todos os dias e isso acontece sempre”, comenta.