Internacional

Polícia mata brasileiro na Austrália


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Sydney - O estudante brasileiro Roberto Laudísio, 21 anos, foi morto pela polícia de Sydney, na Austrália. Policiais dizem que ele tentou fugir após furtar um pacote de bolachas. Laudísio, que estava naquele país para estudar inglês, foi atingido por disparos de Taser, pistola que dá choque de 5

mil volts.  No Facebook, um de seus amigos disse que Laudísio foi morto por engano.

 

O caso ocorreu por volta das 5h3

de domingo na região central de Sydney. Segundo a polícia, o rapaz havia fugido da loja de conveniência, a qual supostamente roubou. Chamados, seis policiais o encontraram três quarteirões depois; durante confronto, dispararam a arma de choque elétrico e usaram também spray de pimenta.

 

Uma testemunha da ação disse ao jornal australiano “Sydney Morning Herald” que, mesmo depois de caído no chão, ele tentou se livrar e foi atingido pelo menos mais três vezes com a arma.

 

A ação foi filmada por uma câmera de segurança de um café e exibida por uma emissora de TV australiana. Nas imagens um rapaz aparece correndo sem camisa e sendo agarrado por policiais.

 

“Me ajude”, segundo o “Herald”, foram as últimas palavra de Laudísio, de acordo com a testemunha. Segundo ela, o brasileiro estava sem nada nas mãos quando a polícia o avistou. “Ele corria tanto quanto podia. Suas calças estavam caindo, eu achei que ele estivesse apenas bêbado e que os policiais estavam tentando capturá-lo”, disse ao jornal.  Policiais e paramédicos ainda tentaram reanimá-lo.

 

A polícia disse que uma equipe de investigação foi acionada para apurar as circunstâncias da morte do brasileiro. O resultado ainda será revisto por oficiais da área de padrões profissionais.

 

Ao “Sydney Morning Herald”, a polícia disse já ter entrado em contato com familiares da vítima no Brasil, mas que ainda não foi feita uma identificação formal.

 

A polícia também informou que vai realizar exames para saber se o jovem estava drogado ou alcoolizado e se isso pode ter contribuído com a sua morte.

 

Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro já acionou seu consulado em Sydney para tomar as providências cabíveis e aguarda informações.

 

Roberto Laudísio era um “cara normal”, que “gostava de ir para a balada” e foi morto de maneira cruel, segundo a prima dele, a estudante Marília de Lucca, 21 anos. “Por que dar eletrochoque em alguém assim, até morrer?” Segundo ela, ainda é precipitado dizer que Laudísio roubou a loja de conveniência; ela esperará a polícia se manifestar.

 

Beto, como era conhecido, havia deixado o Brasil no final do ano para estudar inglês na Austrália. Ele perdera o pai na infância e a mãe na adolescência, ambos vítimas de câncer, segundo a prima.

 

O rapaz vivia com uma irmã em Sydney e, no sábado à noite, saiu com os amigos. Ao voltar, se separou do grupo e não foi mais encontrado. A irmã, mais velha, deu falta de Laudísio em casa e procurou a polícia - foi quando soube da morte.

 

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