Pesca & Lazer

História de Pescador: Piapara eletrizante


| Tempo de leitura: 2 min

Moro em Pedreira (SP) e na minha cidade passa o rio Jaguari, famoso outrora pelos grandes dourados que nadavam em suas águas. Antigamente meu avô e professor de pescaria, Agostinho Gaita, primeiro vendia a rifa do dourado no bar do seu Luizão, para depois pescá-lo e entregá-lo ao seu ganhador, tamanha era a certeza de sua captura.

Felizmente, o rio ainda mantém alguns trechos piscosos, claro que não como antes, mas tem lá seus lambaris, piavas, curimbas, piaparas, e quem começa a dar o ar da graça novamente é o dourado.

Um dos lugares do Jaguari em que mais gosto de pescar fica próximo à usina hidrelétrica Macaco Branco. Assim, num sábado desses, convidei meu amigo Nenê para fisgarmos lambaris, piavas, e piaparas.

Tralha separada, chegamos cedo à barranca do rio e começamos a atividade, apesar do dia chuvoso. Havia adquirido naquela semana uma vara de fibra inteiriça, de ação média, com molinete de quatro rolamentos e linha 0,20mm. Com esse material pretendia arremessos longos e alcançar o corixo do outro lado do rio, já que era lá que as piaparas costumavam ficar.

Após os primeiros e certeiros arremessos, notei que a linha de pesca passava bem próxima à linha de transmissão que atravessa por sobre o rio. Porém, num dos arremessos acabei lançando a monofilamento por sobre essa linha, e o anzol e a chumbada acabaram alcançando o rio.

Nesse instante, percebi um clarão igual ao de um relâmpago que veio do fundo do rio. Comecei a recolher rapidamente a linha, e, para minha surpresa e do Nenê, uma linda piapara era içada do rio no anzol número oito, iscado com milho verde. Pasmem, estava saindo fumaça do peixe!

Como a linha de transmissão era descendente ao nosso lado, consegui trazer o bicho como quem recolhe uma roupa de varal de apartamento. Ao retirá-lo, notei que ele havia sido eletrocutado pela linha molhada, por causa da garoa que ocorria naquela hora e que entrara em contato com a rede de transmissão.

Pedi então para o Cosme, vigia da hidrelétrica, que arrumasse um pouco de sal e limão.

Assim, pudemos imediatamente saborear aquela piapara, cujo sabor nunca havia provado antes.

Se vocês duvidam disso, perguntem ao Nenê, que, assim como eu, é um grande e honesto pescador.


Contada por Nelson José Castello e publicada na revista Pesca & Cia

Comentários

Comentários