Uma mulher atrapalhou bastante o trabalho da polícia nos últimos dias ao comunicar ter sido vítima de dois assaltos violentos. K.C.E.M., 30 anos, entretanto, acabou confessando para a Polícia Civil que mentiu ao fazer ambas as denúncias, argumentando que enfrenta problemas pessoais e está em tratamento de saúde.
O primeiro suposto crime teria ocorrido na última sexta-feira. Na ocasião, segundo a mulher, um homem vestido com uniforme de carteiro teria batido à sua porta, invadido a empresa onde trabalha, agredido-a com um guarda-chuva, amarrado seus pés com um fio de telefone e jogado solvente em seu corpo. Do local, ele teria fugido levando R$ 417,00.
No segundo relato, registrado nesta quarta-feira, foi o marido que procurou a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) para contar que a mulher havia lhe dito que a residência do casal havia sido invadida. De acordo com a versão dela, um homem encapuzado a teria ameaçado com uma faca, atingido sua cabeça com um copo de vidro, amarrado seus pés com uma corda e jogado álcool sobre seu corpo.
Nada da casa foi levado e não havia sinais de arrombamento. “Fizemos uma pequena reconstituição do crime e já observamos contradições no relato dela. Também checamos as imagens gravadas por câmeras de estabelecimentos e residências vizinhas e não verificamos nenhuma movimentação estranha”, detalha o titular da DIG, Kleber Granja.
Segundo o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, tenente-coronel Nelson Garcia Filho, também não foram identificadas marcas que pudessem indicar que o suposto ladrão teria pulado o muro da casa. “Também achamos estranho o fato de ela estar com os pés amarrados e as mãos livres”, completa.
Horas depois, K. foi levada à DIG e, em conversa com o delegado, reconheceu que o assalto não havia ocorrido. Ela disse que inventou a história ao sofrer um surto psicótico depois de discutir com o marido.
Em relação ao crime anterior, ela, entretanto, continuou sustentando a versão de que teria realmente ocorrido. A descoberta de que o caso também se tratava de uma farsa veio anteontem, quando o casal foi novamente convocado à DIG.
O delegado Kleber Granja vai verificar se a mulher realmente faz tratamento psicológico para arquivar ambas as denúncias. “Se isso não for comprovado, eles podem responder por falsa comunicação de crime. Além de mobilizar vários policiais, uma das denúncias levantou suspeitas sobre os profissionais dos Correios, o que não é verdade”.
Ainda de acordo com Granja, o prejuízo foi grande para a polícia. “Ficamos várias horas empenhados para resolver estes falsos crimes. Inclusive, tivemos que adiar o cumprimento de três mandados de prisão de casos de homicídio.”