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Fatores de queda

Antonio Delfim Netto
| Tempo de leitura: 3 min

A principal causa da queda do ritmo de crescimento da economia brasileira (2.7% no ano passado) foi o fraco desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0.1%. O Brasil perdeu pelo menos 1% de crescimento do seu Produto devido ao afundamento de setores industriais que, desde meados da década, enfrentam problemas de custos internos e a competição de produtos importados cuja entrada no mercado brasileiro é facilitada pela supervalorização do Real.

É um processo devastador: além dos custos da mão-de-obra industrial, subiram os preços das matérias-primas, os encargos sociais, o preço da energia, a carga de impostos. Custos da energia e aumento dos preços das matérias-primas minerais levaram o aço no Brasil a custar 30% a 40% mais do que lá fora. O gás custa às indústrias brasileiras algo como seis vezes mais do que no exterior.

Junte-se a esses fatores a sobrevalorização cambial de nossa moeda, que continua produzindo efeitos dramáticos: de um lado impede o crescimento das exportações da indústria nacional (na realidade elimina as possibilidades de competição externa de inúmeros setores) e, de outro, estimula o ingresso dos produtos dos nossos concorrentes que passam a dominar não apenas os mercados de consumo, mas também o fornecimento de componentes à indústria nativa.

Para se defender, a indústria nacional passou a importar produtos mais baratos por causa do câmbio e com isso está contribuindo para a desorganização das cadeias produtivas que se estruturaram durante os anos de crescimento econômico e expansão das exportações. Elas estão sendo destruídas, apesar dos esforços do governo para limitar os efeitos da Guerra Cambial. Além do Yuan superdesvalorizado, que permite a inundação dos produtos "made in China" no mercado brasileiro, também os Estados Unidos e a Eurolândia estão competindo para ver quem desvaloriza mais suas moedas (se o dólar, se o euro), com o objetivo de acelerar suas exportações. Exportar para onde? Para os mercados "emergentes", dentre eles, obviamente, o Brasil.

Para completar o rol de prejuízos, as exportações industriais brasileiras (que ainda conseguem superar a barreira do Real supervalorizado) estão sendo deslocadas dos mercados americanos, europeus e até mesmo em países do Mercosul pela oferta de produtos chineses oferecidos a baixo preço, amparados no câmbio desvalorizado e em toda a sorte de subsídios ilegais, sob as vistas complacentes da OMC. É a forma de "competir" dos comerciantes do "Império do Meio" suportados por uma organização de governo autocrática que, em última análise, deu início à guerra dos câmbios.

O Brasil perdeu pelo menos 1% do seu crescimento em 2011 devido à destruição que está sendo produzida no setor da indústria de transformação brasileira. Basicamente em razão da da supervalorização do Real e pela forma um tanto ingênua com que alguns economistas brasileiros imaginam que a "competição" com a China é uma competição leal e obedece a uma teoria que só existe na cabeça deles.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC

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