Paris - O irmão do militante que matou sete pessoas na França foi transferido ontem para Paris para novo interrogatório e uma fonte da polícia revelou que ele disse se sentir “orgulhoso” das matanças promovidas pelo irmão, morto num tiroteio com a polícia francesa.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocou ministros e chefes de polícia para uma reunião neste sábado para discutir as consequências do massacre perpetrado por Mohamed Merah, 23 anos, que agiu inspirado na rede al Qaeda. A matança levantou sérias questões de segurança nacional a apenas quatro semanas da eleição presidencial francesa.
Sarkozy tem pela frente a batalha pela reeleição e seu chefe de inteligência procurou se desvencilhar de perguntas da imprensa sobre o modo como foi conduzido o caso na cidade de Toulouse, sudoeste do país.
Abdelkader Merah, irmão mais velho de Mohamed, que morreu numa saraivada de disparos da polícia na quinta-feira, foi levado de carro de um quartel da polícia em Toulouse para a capital, com sua mulher, disseram fontes do Judiciário.
Ambos foram presos na terça-feira quando os negociadores procuraram sua ajuda para tentar persuadir Mohamed Merah a se entregar.
A mãe deles, também detida naquele dia, provavelmente será libertada mais tarde neste sábado, segundo a mesma fonte.
Mohamed Merah foi morto por um atirador da polícia depois de um confronto com a polícia que pôs fim a mais de 3
horas de cerco a seu apartamento em Toulouse, durante o qual ele admitiu ter matado três crianças judias, um rabino e três soldados, em três ataques separados.
Abdelkader Merah e sua mulher, cujo nome não foi divulgado, foram transferidos para um centro de detenção da agência interna de inteligência, em Paris, e pedirão a um juiz que decida se há base para abrir um procedimento legal sobre uma possível ligação deles com os ataques de Mohamed Merah, informou uma outra fonte.
De acordo com o promotor público que conduz o caso, a polícia encontrou explosivos em um carro de propriedade de Abdelkader. Ele já era conhecido dos serviços de segurança por ter ajudado a levar clandestinamente militantes islâmicos para o Iraque, em 2
7.
Uma fonte policial disse ontem que numa audiência a portas fechadas em Toulouse ele se declarou “orgulhoso” das matanças do irmão e admitiu tê-lo ajudado a roubar a scooter utilizada em todos os crimes. Mas ele negou ter conhecimento dos planos assassinos do irmão, acrescentou a fonte.